Manaus, 21 de fevereiro de 2024
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Cidades

Médico vai a julgamento no CRM-AM por possível negligência médica

Melina Seixas e Alan Braga foram vítimas de negligência, acusam familiares que denunciaram o médico ao CRM-AM

Médico vai a julgamento no CRM-AM por possível negligência médica

Édson Ritta Honorato será julgado por negligência médica (Foto: Reprodução)

Manaus (AM) – O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) começa, nesta terça-feira (9), o julgamento do médico Edson Ritta Honorato, investigado pela morte de dois pacientes. O médico é acusado de negligência médica que vitimou Melina Seixas e Alan Braga em 2022.

Os dois faleceram com uma diferença muito curta de tempo após procedimentos cirúrgicos realizados por Édson.

Familiares e amigos das vítimas promovem uma manifestação às 19h, uma hora antes do início do julgamento, em frente à sede do CRM-AM, na Avenida Senador Raimundo Parente, 6, no bairro de Flores (zona Centro-Sul)

Negligência

Em 5 de fevereiro de 2022, a jornalista Melina Seixas, de 38 anos, passou mal após o procedimento, feito pelo acusado, de colocação e um balão intragástrico – balão de silicone inserido no estômago por endoscopia, preenchendo aproximadamente 50% da cavidade gástrica.

O viúvo de Melina, Darlan Taveira Peres, contou ao Portal AM1, na época, que depois da cirurgia, o médico omitiu informações sobre o real estado de Melina – que sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias – e a clínica não apresentou condições para atender pacientes em caso de complicações.

Édson Ritta acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para socorrer Melina, mas sempre mantendo a afirmação de que a paciente estava bem. Darlan só soube do estado da esposa porque conseguiu entrar na sala com a equipe do Samu, que ainda encontrou dificuldades para remover Melina, devido à acessibilidade precária à clínica, que fica no quinto andar de um prédio em que os elevadores não comportam macas.

“Ele não me comunicou nada, não falou nada, ele omitiu realmente a informação de que ela estaria passando mal ou teria passado mal durante ou depois do procedimento. […] Poderíamos ajudar de alguma forma e ele nos tirou esse direito de conseguir ajudar a Melina. Ele precisa responder pelos atos dele”, desabafou Darlan.

Dois meses depois do caso de Melina, em 6 de abril, Alan Leite Braga, 65, morreu uma semana após realizar o mesmo procedimento, também com Ritta Honorato. O idoso morava no Careiro Castanho e, assim como Melina, pagou R$ 7,5 mil para o médico. Segundo a filha de Alan, que preferiu não ter seu nome divulgado, o pai teve uma série de complicações pós cirurgia e não recebeu as orientações adequadas.

“Ele ficou passando mal na recepção da clínica. Vomitou um líquido azul e depois um pouco de sangue, mas o médico disse que era normal”, disse. Ele ficou com a pressão bem alta, e ele não tinha problema de pressão”, completou.

Nos dias seguintes ao procedimento, o paciente teria voltado à clínica para pedir a remoção do balão intragástrico, por não suportar mais as complicações. Ritta Honorato, segundo a filha da vítima se negou a fazer a retirada. Alan precisou ser levado ao HPS 28 de Agosto, onde foi constatada insuficiência renal e o estômago rompido.

Favorecimento à prostituição

Pesa ainda sobre o médico a suspeita de favorecimento à prostituição praticado contra uma adolescente de 16 anos e exploração de trabalho infantil, que o levou a ser preso em flagrante, na mesma época dos casos de negligencia.

A prisão ocorreu em um condomínio na Zona Leste de Manaus. Ele nega o crime, mas a polícia afirma ter indícios de que a prática era recorrente em sua casa. Edson foi solto no dia 6 de abril de 2022, um dia após a prisão.

No caso de favorecimento à prostituição, o acusado já vinha sendo investigado dois meses antes da prisão, que foi relaxada com sua soltura pela Justiça um dia depois, mesmo com o flagrante.

Segundo a titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Joyce Coelho, Honorato já estava sendo investigado há dois meses, quando chegaram ao conhecimento da polícia diversas denúncias informando que ele levava várias garotas para o local. A magistrada que cuidou do caso alegou “ausência de indícios suficientes do estado de flagrância do custodiado e a ausência de formalidades essenciais do auto de prisão em flagrante”.

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