(Foto: Diego Peres/Secom)
Manaus (AM) – O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT-AM) fez duras críticas ao governo Wilson Lima após a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovar, na quarta-feira (18), um empréstimo bilionário de até R$ 1,5 bilhão. Para ele, o governador está “montando uma bomba-relógio” que vai explodir no futuro do estado.
Ramos afirma que o novo empréstimo compromete receitas futuras do Amazonas, já que a garantia oferecida ao Banco do Brasil inclui repasses federais e a arrecadação de ICMS. Segundo o ex-parlamentar, o credor poderá sacar diretamente das contas do governo, mesmo após o término do mandato de Wilson Lima.
O ex-deputado também acusa o governo de já ter endividado profundamente o Estado e de não pagar fornecedores, afetando serviços essenciais. Ele cita ainda contratos de terceirização que ultrapassam o fim da gestão — como os dos hospitais Delphina Aziz, 28 de Agosto, Dona Lindu e Platão Araújo — que somariam cerca de R$ 4 bilhões. Outro ponto citado é o contrato da empresa =GovTech, avaliado em R$ 24 milhões.
Para o ex-parlamentar, o cenário mostra “contas descontroladas, publicidade excessiva e omissão da Aleam e dos órgãos de controle”. Ele cobra uma atuação firme do Tribunal de Contas e do Ministério Público para impedir o que classificou como uma “irresponsabilidade que ameaça o futuro do povo do Amazonas”.
“Isso é símbolo de um Estado com as contas irresponsavelmente descontroladas, sob a conivência da Assembleia Legislativa e dos órgãos de controle. Estamos falando de um empréstimo para um governador que já endividou profundamente o Estado do Amazonas e não paga seus fornecedores, comprometendo a qualidade dos serviços e deixando para o governador que o sucederá contas ainda mais graves”, declarou.
O governo do Estado, por outro lado, argumenta que o empréstimo bilionário financiará políticas públicas em habitação, infraestrutura e saneamento. A gestão também promete reforço a fundos estaduais como FIDEAM, FEH e FERMM, além de destinar parte do valor à amortização da dívida pública.
Segundo o Executivo, os investimentos vão gerar empregos, fortalecer o comércio, aumentar a arrecadação municipal e reduzir desigualdades em várias regiões do Amazonas.
O projeto aprovado estabelece que o dinheiro só poderá ser usado para investimentos, ficando proibido o uso em despesas correntes. A proposta também autoriza a abertura de créditos adicionais e permite que o Banco do Brasil debite automaticamente valores das contas do Estado para garantir o pagamento da dívida.
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