(Foto: Diego Peres/Secom)
Manaus (AM) – Os dados do Portal da Transparência do Governo do Amazonas revelam uma disparada histórica nos gastos da Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) durante a gestão do governador Wilson Lima. A pasta, comandada por Josiclécia Gomes Nogueira, a Josi Gomes — ex-funcionária da TV Acrítica, emissora onde o próprio Wilson trabalhava como apresentador — transformou-se em uma das estruturas mais caras e politicamente estratégicas do governo.
Em 2019, primeiro ano completo da gestão Wilson, a Secom pagou R$ 138.677.559,42, somando despesas do exercício e de exercícios anteriores. Já em 2025, até novembro, os gastos saltaram para R$ 327.903.449,51.
O aumento é de 136%, ou R$ 189,2 milhões a mais — exatamente na véspera das eleições de 2026, quando Wilson Lima deve disputar o Senado.
A ascensão de Josi à chefia da Secom ocorreu após a queda da então secretária Daniela Assayag, que deixou o cargo durante o escândalo nacional envolvendo a compra de ventiladores pulmonares em uma loja de vinhos. À época, denúncias apontavam que a empresa beneficiada teria ligações com Assayag — que depois foi inocentada. O episódio abriu caminho para que uma figura de confiança pessoal do governador assumisse a pasta e ampliasse o peso político da comunicação dentro do governo.
Secom mais cara que órgãos do Estado
Com R$ 327,9 milhões gastos até novembro, a Secom supera dezenas de secretarias e órgãos essenciais, incluindo estruturas que, na prática, prestam serviços diretos à população.
Entre os órgãos que tiveram menos gastos do que a Secom em 2025 estão:
- Casa Civil (R$ 59,4 milhões);
- Casa Militar (R$ 68,4 milhões);
- Controladoria-Geral do Estado (R$ 11,7 milhões);
- Defensoria Pública (R$ 223,2 milhões);
- CETAM (R$ 159,9 milhões);
- Imprensa Oficial (R$ 24,6 milhões);
- Secretaria de Energia, Mineração e Gás (R$ 8,7 milhões);
- Secretaria do Meio Ambiente (R$ 19,5 milhões);
- Secretaria de Justiça e Cidadania (R$ 84,2 milhões);
- Secretaria de Desporto e Lazer (R$ 62,5 milhões);
- Secretaria de Produção Rural (R$ 79,1 milhões);
- Secretaria de Governo (R$ 5,7 milhões);
- Agências, fundações e institutos como IPAAM, ADS, FAPEAM, IDAM, ARSAM, ADAF e dezenas de unidades da saúde.
A Secom também gasta mais que fundações públicas inteiras, maternidades, SPAs, institutos de saúde e agências de desenvolvimento — um contraste brutal para uma pasta que não presta serviço direto à população.
Coordenador que controla a mídia e protege aliados
No centro da operação está Bruce Willas Barbosa Cardoso, peça-chave na articulação entre a Secom e os veículos de comunicação. Bruce é apontado como responsável por administrar verbas, negociar publicações e, sobretudo, evitar matérias críticas sobre aliados do governador.
Profissionais da imprensa afirmam que Bruce atua para proteger o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Roberto Cidade, utilizando a força financeira da Secom para pressionar veículos a não publicar investigações ou reportagens sensíveis envolvendo o parlamentar. A atuação dele é descrita como a de alguém que age “como funcionário de Roberto Cidade, e não do Governo do Amazonas”.
Outras áreas agonizam
O contraste entre a abundância da Secom e a crise de outras secretarias é evidente. Enquanto contratos da saúde, educação, infraestrutura e assistência social enfrentam atrasos, cortes e redução de empenho, a Comunicação vive uma expansão contínua.
A evolução dos gastos expõe a estratégia: usar dinheiro público para ampliar controle político, blindar o governador e proteger aliados em um ano pré-eleitoral.
Os dados confirmam que a Secom se tornou uma superpasta financiada à custa do contribuinte, com um crescimento orçamentário que foge a qualquer justificativa técnica. Em vez de fortalecer serviços essenciais, o governo Wilson Lima ampliou a máquina de propaganda oficial — que hoje movimenta mais que a maioria das secretarias do Estado.
E, às vésperas da eleição de 2026, o aumento vertiginoso é tudo menos coincidência.
LEIA MAIS:





