Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Governo do AM entra em dezembro devendo R$ 93 milhões e expõe descontrole financeiro de gestão Wilson Lima

Esses números desmontam a narrativa de controle fiscal propagada pelo governo.

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(Foto: Arthur Castro/Secom)

Manaus (AM) – O Governo do Amazonas iniciará dezembro afundado em uma dívida de, no mínimo, R$ 93.133.179,79 em despesas que já estão na fila de pagamentos, segundo levantamento oficial da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) constante no documento de programação de desembolso em ordem cronológica.

É mais um retrato do descompasso entre gasto e capacidade real de pagamento da gestão Wilson Lima — justamente em um momento em que segue em vigor um decreto de contenção de despesas e limitação de empenhos, assinado e publicado pelo próprio governo diante do rombo acumulado ao longo de 2025.

Fila

Entre as pastas com maiores valores “na fila” para pagamento, três chamam atenção pela dimensão dos débitos e pelo impacto direto na prestação de serviços:

  • UGPE (Unidade Gestora de Projetos Especiais) – R$ 16.160.476,93, o maior valor entre todos os órgãos.
  • Secom (Secretaria de Comunicação Social) – R$ 13.106.118,53, que já vinha registrando aumento de gastos em 2025, apesar da restrição orçamentária.
  • ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável) – R$ 6.892.069,88.
  • SUSAM (Secretaria de Saúde) – R$ 6.906.149,47
  • SSP (Segurança Pública) – R$ 5.703.820,05.
  • Casa Militar – R$ 3.089.396,60.
  • UEA (Universidade do Estado do Amazonas) – R$ 2.703.858,51.
  • Sejel/SeDEL (Esportes e Lazer) – R$ 2.114.955,77.
  • PMAM (Polícia Militar) – R$ 2.930.995,59.

Esses números desmontam a narrativa de controle fiscal propagada pelo governo. Ao contrário: mostram um Estado que gasta mais do que consegue pagar e empurra compromissos para o mês seguinte mesmo após endurecer regras internas.

O cenário é ainda mais preocupante porque, há meses, o governador Wilson Lima mantém um decreto de contenção de gastos e limitação de novos empenhos. Na prática, o documento não freou a máquina pública — pelo contrário, a lista de despesas a pagar só cresceu.

A existência de um decreto de austeridade em paralelo a uma dívida dessa magnitude reforça o descontrole orçamentário que marca a gestão. Se mesmo com restrição formal o governo não consegue equilibrar o fluxo de pagamentos, a tendência é que dezembro seja um mês de forte pressão financeira sobre fornecedores e serviços essenciais, que devem ser pagos até o dia 15 – data de encerramento dos pagamentos no ano fiscal.

Contas acumuladas

Secretarias sensíveis, como Saúde, Segurança Pública e Educação, aparecem com dívidas que se arrastam, embora lidem com serviços que não podem parar. A SES, por exemplo, começa dezembro com quase R$ 7 milhões pendentes. A Segurança Pública, que enfrenta alta de críticas pela escalada da violência, soma R$ 5,7 milhões em débitos.

A Comunicação, por sua vez, se destaca negativamente: tem mais de R$ 13 milhões a pagar — valor superior ao de várias pastas essenciais. Em um ano eleitoral, o montante na Secom acende alertas sobre prioridades distorcidas.

Caixa pressionado

Os dados revelam um governo que chega ao último mês do ano com as contas pressionadas, fornecedores na fila e compromissos atrasados, mesmo após medidas anunciadas para “equilibrar” a execução orçamentária.

O acumulado de R$ 93 milhões a pagar é a fotografia mais nítida de que a gestão Wilson Lima perdeu o controle do fluxo financeiro do Estado — e agora empurra o problema para um 2026 que já começará com forte pressão sobre quem assumir a responsabilidade de administrar essa herança.

 

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