Manaus, 7 de julho de 2026
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Economia

Economista vê isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil como medida ‘eleitoreira’ e ‘insustentável’

Segundo ele, a medida não representa justiça social e pode gerar efeitos negativos para a economia.

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O economista e professor Orígenes Martins, em entrevista ao Portal AM1, avaliou a recente decisão do governo federal de isentar do Imposto de Renda os trabalhadores que recebem até R$ 5 mil. Segundo ele, a medida não representa justiça social e pode gerar efeitos negativos para a economia.

Martins afirmou que o próprio valor de referência já nasce distorcido. “Essa questão dos 5 mil reais já é uma coisa meio fantasiosa porque se o salário mínimo tivesse sido corrigido da maneira adequada ele estaria muito maior do que os 7 mil que o pessoal fala por aí”, disse.

Ele destacou ainda que o salário mínimo atual é “altamente defasado” e que o valor considerado ideal, segundo estudos antigos, deveria ser “algo em torno de 12 mil reais”.

Ao comentar o impacto fiscal da isenção, o economista explicou que toda renúncia exige compensações: “Quando você isenta alguma coisa ou alguém dentro do sistema econômico, você está deixando de arrecadar um valor. Ou o governo tem que cortar gastos ou vai tirar de outro lugar”.

Para Martins, como o governo “não tem esse costume”, a tendência é que a carga tributária se desloque para outros setores, afetando a atividade produtiva e os investimentos.

O professor classificou a medida como uma estratégia voltada ao cenário eleitoral. “Na verdade é muito mais eleitoreira do que realmente uma coisa justa”, afirmou, reforçando que a política não corrige de forma estrutural a progressividade do sistema tributário.

Sobre o impacto na economia doméstica, Martins reconheceu que, matematicamente, quem deixará de pagar imposto terá mais renda disponível. Porém, alertou que os efeitos não necessariamente serão positivos. “A economia é uma ciência social. O ser humano é um ser altamente consumidor porque ele é insatisfeito”, disse, relacionando o comportamento ao aumento do endividamento das famílias. Para ele, o país sofre com a falta de educação financeira, que deveria estar presente na formação escolar.

Reforma Tributária

O economista também abordou a reforma tributária e afirmou que a discussão atual carece de foco e clareza. “Eles apresentam que vão apresentar uma reforma tributária e ficam jogando textos no Congresso. A briguinha de direita e esquerda já começa a atrapalhar”, criticou. Segundo ele, a prioridade deveria ser pensar no que é bom para o país, independentemente de disputas ideológicas.

Martins defendeu que qualquer reforma deve partir do aumento da produção e da geração de riqueza, além de um sistema tributário capaz de devolver serviços públicos compatíveis com o que é cobrado. “Nós temos que criar também a justiça no imposto. Não é criar um imposto maior ou menor só porque o camarada é mais rico ou mais pobre, mas um imposto justo”, argumentou.

O economista ainda criticou propostas que preveem tributação automática de “rendas extras”, classificando o conceito como vago e perigoso. Na avaliação dele, isso pode desestimular investimentos. “Criar esse conceito de renda extra é muito perigoso porque eu posso fazer com que as pessoas tenham medo de investir”, afirmou.

Ao final, Martins destacou que políticas públicas mal calibradas podem gerar dependência e prejudicar o crescimento. “Quando você deixa uma família super feliz dando três Bolsa Família para ela e tira dela a vontade de trabalhar, você está fazendo muito mais um mal para a economia do que um bem”, disse. Ele defendeu a inclusão de educação financeira nas escolas e o estímulo à produção e ao empreendedorismo como caminho para o futuro econômico do país.

 

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