Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

SEC despeja coletivos culturais às pressas e sem diálogo: gestão vira símbolo de insensibilidade

Entidades denunciam prazo “surreal”, falta de reunião e abandono da economia criativa, justamente o setor que a própria secretaria diz defender.

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(Foto: Arthur Castro/Governo do AM)

Manaus (AM) – Entidades culturais que ocupam salas no terceiro andar de um prédio administrado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC) na gestão do secretário Caio André, enfrentam uma ordem de despejo considerada “injusta” e “inviável”, segundo uma representante de uma das entidades, Valeria Angelis, ouvida pelo Portal AM1. As organizações receberam um ofício no dia 19 de novembro, véspera de feriado, comunicando que teriam 15 dias corridos para desocupar o espaço, prazo que, para elas, desrespeita a logística necessária e ignora o impacto social dos coletivos.

Valeria Angelis relatou que o documento chegou em um momento que impossibilitou qualquer resposta imediata.

“A gente recebeu no dia 19 à tarde, véspera de feriado. Não teve como responder no mesmo dia, nem no dia seguinte, que era feriado. No outro dia já era emendado e depois veio o fim de semana. Perdemos quase cinco dias corridos só nisso”, explicou.

Diante da situação, as entidades realizaram uma reunião interna e enviaram um ofício coletivo à Secretaria pedindo extensão do prazo para 90 dias. O objetivo seria garantir tempo para procurar um novo espaço, organizar transporte, obras mínimas e toda a logística de mudança, o que, segundo elas, é inviável em apenas duas semanas.

A representante destaca que o prédio apresenta restrições que tornam a desocupação ainda mais difícil.

“Ocupamos as salas no terceiro andar e não pode usar o elevador. Todo material precisa subir e descer pela escada. Aqui no Largo não entra carro sem autorização prévia. É uma logística bem complexa. Além disso, muitas das organizações não têm recursos financeiros para custear uma nova sede em tão pouco tempo”, afirmou.

Pedido negado e novo prazo de apenas sete dias

Mesmo com a argumentação, a extensão solicitada foi negada pela Secretaria. As entidades afirmam que receberam resposta somente no dia 3 de dezembro, data em que, segundo o primeiro ofício, elas já deveriam ter deixado o prédio.

“Eles retornaram dizendo que dariam mais sete dias corridos. Ou seja, o prazo vence, dia 10 de dezembro”, relatou a representante.

Até o momento, segundo ela, nenhuma reunião foi marcada pela Secretaria para esclarecer os motivos da desocupação ou negociar uma saída menos abrupta.

“A Secretaria não atendeu as organizações para conversar, para esclarecer absolutamente nada”, disse.

Impacto na economia criativa

As entidades alertam que a retirada imediata compromete diretamente a cadeia produtiva da cultura em Manaus. Segundo a representante, somente a organização que ela lidera impacta mais de 5 mil pessoas por ano, de forma direta.

“A economia criativa é um dos setores que mais cresce na nossa região. É o terceiro setor que mais fomenta recursos dentro da cidade. Quando a gente não tem sede administrativa, todo o trabalho fica comprometido, e isso afeta milhares de artistas e trabalhadores da cultura”, afirmou.

“Não somos contra sair, mas contra o processo”

As organizações reforçam que não se opõem a deixar o prédio, pois reconhecem que o contrato de ocupação não é permanente. A crítica principal recai sobre a forma como o processo tem sido conduzido.

“Para ocupar as salas existe edital, verificação de documentos, validação, contrato, contrapartidas. É todo um processo. Mas, para desocupar, é só um ofício dizendo que temos 15 dias corridos? Sem diálogo, sem justificativa? A gente só quer respeito e um prazo real para fazer tudo direito”, concluiu.

Confira o ofício da SEC assinado por Caio André

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