(Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil)
Manaus (AM) – A recente identificação, no Brasil, de um novo subtipo do vírus influenza A (H3N2), conhecido como variante K, reacendeu a atenção das autoridades sanitárias e da comunidade científica.
Apesar do alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) diante do aumento de casos no Hemisfério Norte, especialistas afirmam que, neste momento, não há motivo para preocupação excessiva, já que a emergência de novas variantes faz parte da própria natureza do vírus da gripe.
O influenza é um vírus respiratório antigo e altamente mutável. Registros históricos indicam que ele circula entre humanos há séculos, sendo responsável por epidemias sazonais e grandes pandemias, como a gripe espanhola de 1918.
Sua principal característica é a capacidade de sofrer mutações frequentes, especialmente nos vírus do tipo A, que infectam humanos e animais e são classificados em subtipos como H1N1 e H3N2.
O subtipo H3N2, identificado inicialmente em humanos em 1968 durante a pandemia de Hong Kong, é conhecido por sua alta taxa de mutação genética.
Essas alterações ocorrem principalmente nas proteínas de superfície do vírus, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N), o que permite o surgimento de novos clados e subclados — como é o caso da variante K, recentemente detectada em diferentes regiões do mundo.
Na semana passada, a OMS divulgou nota informativa alertando para o crescimento rápido da circulação do subclado K do Influenza A (H3N2) no Hemisfério Norte, especialmente na Europa, América do Norte e Leste Asiático.
Na Europa, inclusive, a temporada de gripe começou mais cedo do que o habitual, e a variante K respondeu por quase metade das infecções registradas entre maio e novembro de 2025. Apesar disso, não houve aumento significativo da gravidade clínica, como internações em UTI ou mortes.
No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou nesta semana o primeiro caso da variante K, identificado no estado do Pará.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a amostra foi coletada em Belém no dia 26 de novembro e analisada inicialmente pelo Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA).
Após confirmação de influenza A (H3N2), o material foi encaminhado ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), onde passou por sequenciamento genético.
O caso refere-se a uma mulher adulta, estrangeira, oriunda das ilhas Fiji, e foi classificado como importado, sem evidências de transmissão local até o momento.
Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, a identificação da variante não foge ao esperado.
“Todo ano temos novidades do influenza. É da natureza do vírus sofrer mutações e causar epidemias anuais. Por isso, precisamos tomar vacina todos os anos”, explica.
Segundo ele, ainda é cedo para prever se a variante K será predominante na próxima temporada de gripe no país.
“Não sabemos sequer se o H3N2 vai predominar ou se outro subtipo, como o H1N1, vai ganhar força. Qualquer projeção agora é teórica”, afirma.
Especialistas destacam que a vacinação continua sendo a principal ferramenta de proteção, mesmo diante de variantes novas.
A OMS atualizou em setembro a composição da vacina contra a gripe para a próxima temporada, incorporando cepas mais próximas das atualmente em circulação, incluindo o subclado K.
“A composição da vacina recomendada pela Organização Mundial da Saúde foi atualizada com cepas mais próximas dos clados em circulação, incluindo o subclado K”, afirma Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios do IOC/Fiocruz.
Segundo ela, mesmo quando há alguma distância genética entre a vacina e o vírus circulante, a proteção contra formas graves da doença é mantida.
Além da imunização, as autoridades reforçam medidas clássicas de prevenção, como higienização frequente das mãos, evitar contato próximo em caso de sintomas respiratórios, uso de máscara quando indicado e busca por atendimento médico diante de febre ou agravamento do quadro.
Para os serviços de saúde, a recomendação é manter o fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica, essencial para monitorar a evolução do vírus.
A chegada da variante K ao Brasil, portanto, reforça a importância da vigilância e da vacinação anual, mas, segundo especialistas, não representa uma ameaça fora do padrão conhecido da gripe sazonal.
(*) Com informações da Agência Brasil
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