Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Editorial sobre salário mínimo gera críticas e amplia debate sobre prioridades do orçamento público

O editorial do Estadão afirma que o reajuste teria impacto de cerca de R$ 43 bilhões nas contas públicas, colocando em risco o equilíbrio fiscal do país.

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(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Marcelo Ramos (PT), fez duras críticas ao jornal O Estado de S. Paulo após a publicação do editorial intitulado “A aposta leviana no salário mínimo”. Em declaração pública, Marcelo Ramos acusou o veículo de atuar como “porta-voz de uma elite atrasada, insensível e egoísta” ao criticar o reajuste do salário mínimo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o ex-parlamentar, a crítica do jornal ignora o impacto social do aumento de R$ 103 no salário mínimo, anunciado na véspera do Natal, ao mesmo tempo em que exagera seus efeitos fiscais. O editorial do Estadão afirma que o reajuste teria impacto de cerca de R$ 43 bilhões nas contas públicas, colocando em risco o equilíbrio fiscal do país.

Marcelo Ramos rebateu o argumento, afirmando que o debate é conduzido de forma seletiva. Para ele, o jornal defende cortes apenas sobre trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais, enquanto poupa o sistema financeiro.

“O que o editorial não diz é que o orçamento do ano que vem prevê R$ 1,82 trilhão para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública”, afirmou.

De acordo com Marcelo Ramos, esse montante sai do bolso dos contribuintes e beneficia principalmente bancos e grandes investidores que detêm títulos da dívida pública.

“O jornal advoga que o trabalhador e o aposentado devem receber menos que um salário mínimo para equilibrar as contas do Estado, mas não aceita que bancos e multimilionários abram mão de um real sequer em juros”, criticou.

O ex-deputado também se posicionou contra a proposta defendida no editorial de desvincular aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo, o que permitiria o pagamento de valores inferiores ao piso nacional. Para ele, a medida representa um retrocesso social e um ataque direto à população mais vulnerável.

“Aumentar o salário mínimo é garantir dignidade, qualidade de vida e justiça social. Defender que idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores paguem a conta enquanto o sistema financeiro segue intocado é uma profunda irresponsabilidade com o presente e o futuro do país”, afirmou.

Marcelo Ramos concluiu dizendo que o episódio revela o distanciamento histórico de parte das elites econômicas brasileiras da realidade da maioria da população.

“Essa postura só reforça o quanto nossas elites ainda são atrasadas, egoístas e incapazes de pensar um projeto de país mais justo”, finalizou.

 

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