Mayara Pinheiro (Foto: Divulgação/Assessoria de Comunicação), Cabo Maciel (Foto: Divulgação/Paulo Ferraz), Daniel Almeida (Foto: Divulgação/Assessoria de Comunicação) e George Lins (Foto: Divulgação/Leandro Castro
Manaus (AM) – Um levantamento disponível no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) revela um elevado número de ausências justificadas entre deputados estaduais durante as sessões plenárias de 2025.
Os dados correspondem à 20ª Legislatura (2023–2027), atualmente em curso, e à 3ª Sessão Legislativa, referente ao período deste ano.
De acordo com o relatório, no intervalo analisado foram realizadas 263 sessões plenárias. Dentro desse total, alguns parlamentares se destacam pelo número expressivo de faltas justificadas.
Entre eles, a deputada Mayara Pinheiro aparece com 64 ausências, seguido por Cabo Maciel, que registra 51 faltas. Na sequência estão Daniel Almeida, com 47 ausências, e George Lins, com 42.
Embora as faltas estejam classificadas como justificadas o volume chama atenção diante da quantidade de sessões realizadas no período. O motivo das faltas não foram mencionadas no site do SAPL.
Em entrevista ao Portal AM1, o cientista político Carlos Santiago criticou o comportamento dos parlamentares, afirmando que mudanças recentes no regimento da Aleam facilitaram ainda mais a vida dos deputados.
“Nos dois últimos anos, a Assembleia Legislativa do Amazonas fez duas modificações no seu regimento, objetivando facilitar a vida dos legisladores. A primeira delas foi aumentar de 15 dias para 30 dias o recesso parlamentar no meio do ano. Para que os legisladores visitassem suas bases eleitorais e prestassem contas das suas atividades. A outra modificação foi a redução de dias para a realização das sessões ordinárias, que passou de três para apenas dois dias na semana. Tudo para facilitar e muito a vida dos parlamentares nas suas visitas às suas bases”, disse.
Carlos Santiago ainda destacou o alto custo do parlamento para os contribuintes.
“O parlamento, além de um bom salário, ainda tem direito às verbas indenizatórias, uma delas para pagar aluguel, despertório, combustível, aluguel de automóvel, gastos com mídia e outros privilégios. É preciso, então, que os legisladores estejam ativos para defender a sociedade, para a presença no parlamento”, comentou.
O especialista também criticou a postura da Aleam em relação ao Poder Executivo, apontando a baixa atuação fiscalizadora dos deputados sobre os atos do governo estadual.
“O parlamento estadual anda muito governista, fiscalizando pouco os atos do poder executivo, do governador. Isso cria uma imagem negativa da Assembleia Legislativa”, alegou.
Santiago ressaltou que, com as eleições gerais do próximo ano, “muitas questões ausentes do trabalho no plenário certamente serão lembradas pelo eleitorado do Estado”.
Por fim, o cientista político defendeu mudanças na postura dos parlamentares do estado.
“Um poder público custa caro e possui atribuições importantes. Não pode dar um péssimo exemplo de ausências. A sociedade espera presença e comprometimento de todos os deputados”, concluiu.
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