Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Racha, força no interior e alianças de conveniência marcam a prévia eleitoral de 2026 no Amazonas

O rompimento entre o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o senador Omar Aziz (PSD) não é mais especulação.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – A conjuntura político-eleitoral do Amazonas para 2026 deixou de ser feita em códigos e passou a ser pública, barulhenta e constrangedora para alguns atores. O rompimento entre o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o senador Omar Aziz (PSD) não é mais especulação: virou fato político consumado desde as últimas declarações públicas do prefeito de Manaus.

O racha ficou evidente após uma coletiva de imprensa em que David Almeida fez questão de expor a “fratura”. Diante dos microfones, o prefeito fez uma retrospectiva dos apoios eleitorais desde 2018, relembrou alianças, resultados e, em tom duro, afirmou que não precisava de Omar Aziz para as eleições em 2026 e reafirmou o papel decisivo que terá para o resultado do pleito, especialmente para o Governo do Amazonas. A fala foi interpretada nos bastidores como um rompimento definitivo — e público — com quem até então era tratado como aliado estratégico.

Tentando mostrar musculatura no interior do Amazonas, David Almeida tentou organizar um encontro com prefeitos do interior do Amazonas, em Manaus, mas apenas dois prefeitos compareceram ao evento.

Em entrevista à imprensa, o presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), Anderson Souza, – aliado de Omar Aziz -, tentou justificar a ausência dos prefeitos afirmando que o evento era técnico e não político e que servidores das prefeituras participaram do encontro.

O recado foi claro. O prefeito de Manaus tem força eleitoral na capital, mas enfrenta resistência aberta no interior, onde sua influência é limitada e sua articulação, frágil. Nesse cenário inicia a reviravolta político eleitoral. Para driblar a falta de apoio no interior, David ensaia uma reaproximação com o governador Wilson Lima (UB), que precisa driblar a rejeição na capital caso decida participar da disputa ao Senado, duelando contra o senador Eduardo Braga (MDB).

A estratégia inclui o apoio de Wilson a David Almeida sendo o próprio David candidato ao Governo ou indicando um nome, um vice indicado por Wilson Lima e o apoio das máquinas estadual – comandada por Tadeu de Souza, aliado de primeira ordem de David Almeida – e municipal, comandada pelo vice-prefeito Renato Júnior, caso David Almeida seja o candidato ao Governo. A possível chapa inclui, ainda, Marcos Rotta, em uma dobradinha ao Senado junto com Wilson Lima.

Enquanto David Almeida expõe parte dos planos e da estratégia eleitoral em coletivas de imprensa, Wilson Lima mantém o silêncio. Ao ser questionado sobre as eleições de 2026, Wilson tem afirmado que a “prioridade é fazer entregas para o povo do Amazonas”.

Força política

Do outro lado, Omar Aziz tem respondido com demonstração objetiva de força. Em um café da manhã político, o senador reuniu mais de 30 prefeitos, além de lideranças do interior do estado, consolidando seu alcance e reafirmando a capacidade de articulação fora de Manaus. O encontro não foi apenas simbólico: serviu para mostrar quem, de fato, ainda comanda a base municipalista no Amazonas.

Na mesma linha, o senador Eduardo Braga deu um passo ainda mais largo. Em uma confraternização política recente, Braga conseguiu reunir mais de 80% das principais lideranças do interior do Amazonas — prefeitos, ex-prefeitos e caciques municipais. O gesto foi lido como um recado direto a David Almeida e também ao governador Wilson Lima: no interior, a força política segue concentrada no grupo tradicional.

Conjuntura

O desenho que se forma é de um Amazonas politicamente rachado em dois blocos até então bem definidos. De um lado, David Almeida, tentando se viabilizar como candidato ao Governo com base quase exclusiva na capital, agora flertando com Wilson Lima por conveniência eleitoral. Do outro, Omar Aziz e Eduardo Braga, sustentados por uma base robusta no interior, prefeitos alinhados e lideranças regionais consolidadas.

Não há ingenuidade nesse jogo. As alianças que surgem não nascem de projetos para o estado, mas de cálculo eleitoral puro. Antigos aliados viram adversários em questão de meses; antigos desafetos se reaproximam em nome da sobrevivência política.

A eleição de 2026 no Amazonas começa marcada por um fato incontornável: quem não tem base no interior larga atrás, mas quem tem rejeição em Manaus, também sai perdendo. E, até agora, os eventos públicos, as ausências e as demonstrações de força coletiva mostram que o racha entre David e Omar não apenas existe, mas tem refletido na movimentação do tabuleiro político no jogo pré-eleitoral.

 

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