Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Brasil

Fala de Bolsonaro ‘livro eu não leio’ volta à tona após pedido de remição de pena ao STF

Ex-presidente disse por anos que não tinha hábito de leitura, mas agora busca reduzir pena com base em resolução do CNJ.

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(Foto: Depositphotos/ alfribeiro)

Manaus (AM) – Declarações antigas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre seu desinteresse por livros, jornais e outras formas tradicionais de informação voltaram a repercutir nas redes sociais, na imprensa e entre juristas após a defesa pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a redução de sua pena por meio da leitura de livros.

Bolsonaro está preso no complexo da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. O pedido de remição, previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), permite o abatimento de dias da pena mediante a leitura de obras e a produção de resenhas avaliadas por uma comissão.

A solicitação, no entanto, reacendeu críticas e ironias por causa de um histórico de declarações públicas do ex-presidente nas quais ele afirma, de forma recorrente, que não tem o hábito de ler livros e evita o consumo de jornais.

Uma das falas mais lembradas ocorreu em fevereiro de 2023, quando Bolsonaro discursou na New Hope Church, em Orlando, nos Estados Unidos. Na ocasião, afirmou que havia deixado de ler jornais havia três anos.

“Eu não leio jornais há três anos. Se for ler jornal, duas coisas acontecem: primeiro, você já sai com uma carga negativa de casa enorme, tudo é tua culpa”, disse.

Mais recentemente, em 31 de janeiro de 2025, Bolsonaro voltou ao tema em entrevista à Rádio Bandeirantes Goiânia.

“Livro eu não leio mais, não dá. Não tenho tempo, sou sincero”, declarou. Na mesma conversa, afirmou que se informa principalmente por meio de mensagens e conteúdos compartilhados em grupos de WhatsApp, além de relatórios técnicos.

Trechos dessa entrevista passaram a circular novamente após a divulgação do pedido ao STF. Em um dos momentos mais comentados, Bolsonaro comparou a leitura de romances com a análise de documentos oficiais.

“Eu não posso, com todo o respeito, hoje em dia, trocar isso aqui por um livro de romance”, afirmou, ao dizer que havia lido um relatório do Congresso dos Estados Unidos sobre a pandemia de Covid-19.

As falas não são pontuais. Em dezembro de 2021, ainda no exercício da Presidência da República, Bolsonaro recusou um livro oferecido por um interlocutor e foi direto.

“Não, desculpa, eu não tenho tempo de ler. Já tem três anos que não leio um livro. Desde que assumi a presidência, não li mais nada.” O episódio também voltou a ser lembrado por críticos após o pedido de remição.

Outro trecho frequentemente resgatado ocorreu em abril de 2020, quando o então presidente afirmou que nem sempre lia integralmente os atos que assinava.

“Muita coisa que eu assino, eu leio a ementa apenas. Tem decreto com 20 páginas e a gente tem um palmo de papel para assinar ali. Não tem tempo…”, disse à época.

Diante do histórico, o pedido da defesa gerou reações divergentes. Enquanto apoiadores afirmam que a leitura pode representar uma mudança de postura e uma oportunidade de ressocialização, críticos apontam contradição entre as falas passadas e a intenção atual de reduzir a pena por meio de livros.

No requerimento enviado ao STF, os advogados sustentam que Bolsonaro deseja aderir formalmente às atividades educativas e culturais previstas na resolução do CNJ.

“O requerente manifesta sua vontade de desenvolver atividades educativas e culturais compatíveis com a finalidade ressocializadora da pena”, afirma a defesa.

A solicitação será analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

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