(Fotos: Divulgação/Instagra/Débora Menezes, Alberto Neto e Coronel Menezes)
A “Caminhada da Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), chegou ao sexto dia neste sábado (24/1) e se aproxima de Brasília em meio a sinais de uso político do ato por lideranças da direita, especialmente do Amazonas. O ponto de partida da etapa mais recente foi Luziânia, cidade do Entorno do Distrito Federal, a cerca de 60 quilômetros da capital federal.
Divulgada intensamente nas redes sociais, a mobilização passou a funcionar como espaço de exposição política para nomes ligados ao campo conservador. Entre os participantes estão o deputado federal e pré-candidato ao Senado Capitão Alberto Neto (PL-AM), a deputada estadual Débora Menezes (PL-AM) e o ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes (PP), pré-candidato a deputado federal.
A presença da direita amazonense no ato repercutiu negativamente nas redes sociais. Internautas apontaram oportunismo político, sobretudo por se tratar de um ano pré-eleitoral e pela tentativa de associar imagens da caminhada a projetos eleitorais futuros.
Vitrine política e discurso contraditório
Durante a caminhada, Capitão Alberto Neto realizou uma chamada de vídeo em que apresentou Maria do Carmo Seffair como “futura governadora” ao deputado Nikolas Ferreira. No mesmo período, também circulou um vídeo em que o parlamentar mineiro comenta o uso do evento por possíveis candidatos.
Na gravação, Nikolas afirma não se importar com a presença de pré-candidatos, mas ressalta que a mobilização não deveria ter caráter eleitoreiro. A fala, no entanto, não especifica a quem se dirigia e contrastou com as cenas de autopromoção política compartilhadas por aliados nas redes sociais.
Convocada oficialmente como protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, a caminhada percorre cerca de 240 quilômetros, com início no interior de Minas Gerais e previsão de encerramento em Brasília.
PRF alerta para riscos no trajeto
A mobilização também acendeu um alerta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que informou ter notificado formalmente o gabinete de Nikolas Ferreira sobre riscos operacionais identificados durante o trajeto, especialmente na BR-040.
Em nota divulgada na sexta-feira (23), a PRF destacou a necessidade de adoção de medidas para mitigar riscos à segurança, ressaltando a responsabilidade do parlamentar na condição de organizador do ato. Participantes relataram ferimentos ao longo do percurso, reforçando a preocupação das autoridades.
Racha na direita do AM ganha força
Enquanto a caminhada avança, a direita do Amazonas voltou a expor divisões internas. Uma troca pública de acusações entre o deputado estadual Delegado Péricles (PL) e Coronel Menezes (PP), travada principalmente nas redes sociais, evidenciou o clima de disputa no campo conservador durante as articulações para 2026.
O embate ganhou repercussão justamente durante a participação de Coronel Menezes na caminhada, em Brasília. Menezes destacou sua presença como prova de alinhamento com pautas bolsonaristas e lideranças nacionais da direita.
Em resposta, Delegado Péricles questionou a representatividade política do ex-superintendente da Suframa, lembrando que ele não possui mandato eletivo e o acusando de agir por interesses oportunistas. O parlamentar também afirmou que Bolsonaro teria rompido qualquer diálogo com Menezes.
Histórico de rompimentos e mudança de alianças
Coronel Menezes reagiu cobrando explicações de Péricles sobre sua atuação nas eleições municipais de 2024, especialmente quanto ao apoio ao então candidato à Prefeitura de Manaus, Capitão Alberto Neto. Segundo Menezes, o deputado teria se omitido durante a campanha.
Péricles rebateu afirmando que esteve focado, no primeiro turno, na campanha do irmão, Coronel Rosses (PL), e que, no segundo turno, Menezes teria atuado em outro campo político. O deputado sustentou que segue alinhado às lideranças da direita local, enquanto Menezes estaria isolado politicamente.
A disputa ocorre em meio ao histórico rompimento de Menezes com o bolsonarismo. Em 2024, ainda filiado ao PL, ele foi preterido por Jair Bolsonaro, que optou por apoiar Capitão Alberto Neto na disputa pela Prefeitura de Manaus. Menezes alegou ter sido ignorado pela direção estadual do partido, presidida por Alfredo Nascimento.
Após deixar o PL, Menezes se filiou ao Progressistas (PP) e passou a integrar a base do governador Wilson Lima (União Brasil), tornando-se candidato a vice na chapa encabeçada pelo deputado estadual Roberto Cidade (União). A mudança foi interpretada por aliados de Bolsonaro como uma ruptura definitiva com o grupo bolsonarista no Amazonas.
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