Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

‘Terapia ninguém precisa, todo mundo merece’, diz psicanalista Samiza Soares

A terapeuta psicanalista fala sobre saúde mental, violência contra a mulher e a importância do cuidado emocional.

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(Foto: Arquivo pessoal Dra Samiza)

Manaus (AM) – A terapeuta psicanalista Samiza Soares foi a entrevistada do programa AM1 Entrevista, transmitido pelas redes sociais do Portal AM1, onde abordou um dos temas mais sensíveis e urgentes da atualidade: a violência contra a mulher. Com mais de 10 anos de atuação clínica, atendimento online em todo o Brasil e no exterior e autora do livro Caminhos para a Superação, Samiza trouxe uma análise profunda sobre os aspectos psicológicos, sociais e culturais que sustentam o ciclo de violência.

Logo no início da conversa, a especialista chamou atenção para a importância do cuidado com a saúde mental. “Terapia ninguém precisa, todo mundo merece”, afirmou, destacando que muitas pessoas priorizam gastos com aparência física, mas negligenciam o emocional.

Ao tratar do aumento dos casos de feminicídio no Brasil e no Amazonas, Samiza foi direta: “É uma população emocionalmente adoecida”. Para ela, há falhas tanto do Estado — que ainda não oferece acolhimento rápido e eficaz às vítimas — quanto da sociedade, que naturaliza comportamentos abusivos.

A psicanalista também explicou que o machismo continua sendo um fator central para a violência contra a mulher, especialmente em um momento em que os papéis sociais estão mudando e muitas mulheres conquistaram autonomia financeira e profissional. “Quando o homem não tem controle emocional, ele tenta dominar pela força”, pontuou.

Samiza ainda defendeu que políticas públicas deveriam incluir atendimento psicológico obrigatório para agressores, além de medidas protetivas mais eficazes para as vítimas. “Só punir não resolve; é preciso educar emocionalmente”, concluiu.

Como identificar sinais de violência e evitar erros ao ajudar vítimas

A terapeuta psicanalista Samiza Soares detalhou sinais de alerta que podem indicar que uma mulher está em situação de violência — muitas vezes antes mesmo de qualquer agressão física.

Segundo a especialista, comportamentos como ciúme excessivo, isolamento imposto pelo parceiro, gritos, desrespeito público, controle financeiro e invasão de privacidade (como pegar o celular sem autorização) são indícios claros de relacionamento abusivo. “Agressão não começa com soco. Começa com desrespeito”, destacou.

Samiza também alertou para erros comuns ao tentar ajudar uma vítima. Frases como “por que você ainda está com ele?” ou “você já deveria ter saído disso” só aumentam o sofrimento e afastam a mulher de quem tenta ajudá-la.

Sobre denúncias, a psicanalista reforçou que “briga de marido e mulher, mete a colher sim”, mas com cautela. Em casos de risco imediato, o correto é acionar a polícia, e não intervir diretamente, para evitar retaliação contra o denunciante.

A especialista defendeu ainda que famílias tenham papel ativo na proteção das mulheres, rompendo com a ideia de que “quem casou, que se vire”. Para ela, a omissão familiar muitas vezes contribui para a continuidade da violência.

‘Violência contra a mulher nasce de traumas não resolvidos’

A psicanalista Samiza Soares apresentou uma leitura psicológica e psicanalítica sobre por que a violência contra a mulher se repete ao longo das gerações.

Segundo ela, muitos agressores reproduzem padrões que testemunharam na infância, como a violência do pai contra a mãe, ou descontam frustrações e traições de relacionamentos passados em suas parceiras atuais. “É falta de controle emocional somada a traumas não tratados”, explicou.

Samiza enfatizou que a existência de leis como a Lei Maria da Penha é um avanço, mas insuficiente por si só. Ela citou casos de homens que, mesmo com tornozeleira eletrônica, continuam agredindo mulheres — o que evidencia a necessidade de tratamento psicológico para agressores.

A terapeuta também destacou que muitas mulheres permanecem em relações abusivas por dependência financeira, medo e isolamento imposto pelo parceiro. “O agressor afasta a mulher da família e dos amigos para ter controle total sobre ela”, afirmou.

Por fim, Samiza defendeu uma mudança estrutural: educação emocional nas escolas, apoio psicológico acessível às vítimas e políticas públicas mais efetivas de proteção e acolhimento. “Se quisermos reduzir a violência, precisamos cuidar das emoções desde cedo”, concluiu.

Assista à entrevista na íntegra:

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