Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Operação da PF na Amazonprev expõe silêncio incômodo de aliados do PL no Amazonas

Lideranças do Partido Liberal no AM evitam reação imediata após caso envolvendo Evilázio Nascimento, irmão de Alfredo Nascimento.

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(Foto: Reprodução /Redes Sociais)

Manaus (AM) – O silêncio de lideranças do Partido Liberal no Amazonas após a operação da Polícia Federal na sede da Amazonprev, na manhã desta sexta-feira (6), chamou atenção nos bastidores da política local. Diferentemente de outras ocasiões em que investigações envolvendo adversários políticos provocam reações rápidas e críticas públicas, desta vez parte dos integrantes da sigla optou por não se manifestar.

A operação colocou no centro da repercussão o presidente da fundação previdenciária, Evilázio Nascimento, irmão do presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento. Diante do caso, o gestor afirmou que os fatos investigados ocorreram antes de sua chegada ao cargo.

Segundo ele, a presidência da Amazonprev só foi assumida em maio de 2025, após nomeação. A investigação da Polícia Federal mira transações ocorridas em 2024.

“Quero que fique claro, desde já, que não tive nenhuma participação nesta operação. Os fatos aconteceram em junho e agosto de 2024. Eu só cheguei à Amazonprev um ano depois. Responderei sempre pelos meus atos, nunca pelos atos de absolutamente ninguém”, declarou Evilázio.

Questionado sobre o motivo de não ter se manifestado antes, mesmo após o sindicato do Tribunal de Justiça do Amazonas (Sitijam) provocar o Ministério Público sobre o caso, Evilázio afirmou que preferiu aguardar o desenrolar dos fatos antes de tornar pública qualquer posição.

Na prática, a decisão foi adotar cautela enquanto o assunto ainda circulava nos bastidores e só se pronunciar após a operação da Polícia Federal transformar o tema em pauta inevitável.

Silêncio estratégico

A ausência de manifestações públicas mais duras por parte de integrantes do PL acabou gerando comparações com episódios anteriores. O partido costuma adotar discursos contundentes nas redes sociais quando operações policiais atingem figuras de outras legendas.

Entre os nomes que frequentemente fazem críticas à corrupção estão a pré-candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair, o vereador Sargento Salazar, confirmado como pré-candidato a deputado federal, além dos vereadores Capitão Carpê e Capitão Rosses. Até o momento, porém, as manifestações públicas sobre a operação foram discretas ou inexistentes.

Sequência de constrangimentos

A repercussão da operação ocorre poucos dias após outro episódio envolvendo o PL no estado. Recentemente, a sigla anunciou a expulsão do pastor e empresário Anderson Ricardo Lima dos Santos, que se apresentava como pré-candidato a deputado estadual.

Ele se tornou alvo de uma investigação policial que apura um suposto esquema de fraude e lavagem de dinheiro estimado em R$ 75 milhões. Após o caso ganhar repercussão, o partido decidiu afastá-lo.

Momento político sensível

Mesmo com a tentativa de separar a investigação da atual gestão da fundação, o episódio ocorre em um momento de articulação política no estado. O PL iniciou movimentações visando as eleições de 2026 no Amazonas, cenário em que investigações e desgastes públicos costumam ganhar peso adicional.

Enquanto a apuração segue em andamento, o caso já produz efeitos no debate político, inclusive pelo contraste entre discursos anteriores e a atual postura de cautela adotada por parte da legenda.