A operação colocou no centro da repercussão o presidente da fundação previdenciária, Evilázio Nascimento, irmão do presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento. Diante do caso, o gestor afirmou que os fatos investigados ocorreram antes de sua chegada ao cargo.
Segundo ele, a presidência da Amazonprev só foi assumida em maio de 2025, após nomeação. A investigação da Polícia Federal mira transações ocorridas em 2024.
“Quero que fique claro, desde já, que não tive nenhuma participação nesta operação. Os fatos aconteceram em junho e agosto de 2024. Eu só cheguei à Amazonprev um ano depois. Responderei sempre pelos meus atos, nunca pelos atos de absolutamente ninguém”, declarou Evilázio.
Questionado sobre o motivo de não ter se manifestado antes, mesmo após o sindicato do Tribunal de Justiça do Amazonas (Sitijam) provocar o Ministério Público sobre o caso, Evilázio afirmou que preferiu aguardar o desenrolar dos fatos antes de tornar pública qualquer posição.
Na prática, a decisão foi adotar cautela enquanto o assunto ainda circulava nos bastidores e só se pronunciar após a operação da Polícia Federal transformar o tema em pauta inevitável.
Silêncio estratégico
A ausência de manifestações públicas mais duras por parte de integrantes do PL acabou gerando comparações com episódios anteriores. O partido costuma adotar discursos contundentes nas redes sociais quando operações policiais atingem figuras de outras legendas.
Entre os nomes que frequentemente fazem críticas à corrupção estão a pré-candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair, o vereador Sargento Salazar, confirmado como pré-candidato a deputado federal, além dos vereadores Capitão Carpê e Capitão Rosses. Até o momento, porém, as manifestações públicas sobre a operação foram discretas ou inexistentes.
Sequência de constrangimentos
A repercussão da operação ocorre poucos dias após outro episódio envolvendo o PL no estado. Recentemente, a sigla anunciou a expulsão do pastor e empresário Anderson Ricardo Lima dos Santos, que se apresentava como pré-candidato a deputado estadual.
Ele se tornou alvo de uma investigação policial que apura um suposto esquema de fraude e lavagem de dinheiro estimado em R$ 75 milhões. Após o caso ganhar repercussão, o partido decidiu afastá-lo.
Momento político sensível
Mesmo com a tentativa de separar a investigação da atual gestão da fundação, o episódio ocorre em um momento de articulação política no estado. O PL iniciou movimentações visando as eleições de 2026 no Amazonas, cenário em que investigações e desgastes públicos costumam ganhar peso adicional.
Enquanto a apuração segue em andamento, o caso já produz efeitos no debate político, inclusive pelo contraste entre discursos anteriores e a atual postura de cautela adotada por parte da legenda.