(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), dados da segurança pública revelam uma realidade preocupante: 126 mulheres foram vítimas de feminicídio no Amazonas entre 2020 e 2025. Em 2026, apenas nos dois primeiros meses do ano, quatro casos já foram registrados, sendo três em Manaus.
As informações constam no Relatório Mensal de Indicadores de Segurança, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).
De acordo com o levantamento, os registros de feminicídio no estado foram:
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2020: 10 casos
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2021: 23 casos
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2022: 21 casos
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2023: 23 casos
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2024: 29 casos
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2025: 20 casos
Ao todo, 64 desses crimes ocorreram em Manaus, o que representa quase metade das ocorrências registradas no estado.
Apesar da gravidade dos números, o Amazonas apresentou avanço em 2025. O estado registrou 20 feminicídios no ano, alcançando a menor taxa do Brasil, segundo dados consolidados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em comparação com o ano anterior, houve redução de 31% nos casos, a maior queda registrada no país. Ainda assim, autoridades reforçam que os números continuam sendo um sinal de alerta para a sociedade.
Violência contra mulheres ainda preocupa
Outro levantamento divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança aponta que, nos estados monitorados, 12 mulheres são vítimas de violência a cada 24 horas, em média.
O estudo acompanha ocorrências nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
No recorte regional, o Amazonas apresenta um dado especialmente preocupante: 78,4% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes.
Casos recentes evidenciam a gravidade
Entre os casos que chocaram o estado está o da idosa Francisca Coelho da Silva, de 74 anos, assassinada em janeiro de 2026 no município de Manaquiri, a cerca de 54 quilômetros de Manaus.
A vítima foi morta pelo próprio marido com golpes de terçado e martelo na comunidade do Puraqué, na zona rural. O suspeito foi preso após familiares encontrarem o corpo da idosa com ferimentos graves, principalmente na região da cabeça.
Outro crime ocorreu em dezembro de 2025, quando Isabel Cristina Simplício foi assassinada dentro do próprio sítio, na rua Matrinxã, no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. Segundo a polícia, o marido da vítima desferiu golpes de faca nos olhos da mulher.
Também em 2025, Gleicimara Oliveira de Azedo, de 47 anos, foi morta pelo companheiro no conjunto Braga Mendes, na zona norte da capital. De acordo com a Polícia Militar do Amazonas, a vítima foi estrangulada dentro da residência onde o casal morava.
Brasil registra recorde de feminicídios
O cenário no país também preocupa. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da última década, com 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero.
O número representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram registrados 1.492 casos, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Desde 2015, quando o feminicídio foi incluído no Código Penal brasileiro, 13.703 mulheres já foram mortas no país sob essa tipificação.
Importância da denúncia
A principal ferramenta de proteção às vítimas é a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), criada para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.
No Amazonas, a Polícia Civil, por meio das Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCMs), atua na investigação e no atendimento às vítimas.
A delegada Patrícia Leão, titular da DECCM Centro-Sul, reforça que a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência.
“O primeiro passo é registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar à Justiça uma Medida Protetiva de Urgência. Após o deferimento da ordem judicial, todas as partes são notificadas. Caso o agressor descumpra a medida, ele pode ser preso em flagrante ou preventivamente”, explicou.
Além disso, as vítimas podem buscar apoio no Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), vinculado à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), que oferece suporte jurídico, psicológico e social para mulheres em situação de vulnerabilidade.
A orientação das autoridades é que vítimas ou pessoas próximas denunciem qualquer situação de violência, contribuindo para salvar vidas e romper o ciclo de agressões.
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