Manaus, 10 de julho de 2026
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Cenário

MPAM investiga possível negligência em crianças Yanomami com desnutrição grave no AM

Relatórios médicos e sociais encaminhados ao Ministério Público apontam que diversas crianças chegaram à unidade de saúde em estado de desnutrição proteico-calórica grave.

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Hospital de Campanha Yanomami em Boa Vista (RR). (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis falhas no acompanhamento nutricional e assistencial de crianças indígenas Yanomami diagnosticadas com desnutrição grave em Santa Isabel do Rio Negro, no interior do estado. Os casos ocorreram entre 2025 e 2026.

A investigação teve origem em uma Notícia de Fato conduzida pela promotora de Justiça Taize Moraes Siqueira e foi convertida em inquérito para ampliar a produção de provas e verificar se houve omissão por parte dos órgãos responsáveis pelo atendimento à população indígena.

Entre os pontos apurados estão as condições de atendimento prestadas pelo Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska, as medidas adotadas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e a continuidade do tratamento das crianças após a alta hospitalar.

Relatórios médicos e sociais encaminhados ao Ministério Público apontam que diversas crianças chegaram à unidade de saúde em estado de desnutrição proteico-calórica grave.

Em vários casos, os pacientes também apresentavam complicações respiratórias, como pneumonia e bronquiolite, exigindo atendimento especializado. Devido à estrutura limitada do hospital, parte das crianças precisou ser transferida, em caráter de urgência, para hospitais de Manaus.

Segundo o MPAM, há indícios de que, após retornarem às comunidades indígenas, algumas crianças deixaram de receber acompanhamento contínuo de saúde e monitoramento nutricional, situação que pode ter contribuído para o agravamento do quadro clínico.

O objetivo da investigação é identificar eventuais falhas na articulação entre os serviços de saúde e responsabilizar os órgãos competentes, caso sejam constatadas irregularidades.

Como parte das diligências, a Promotoria requisitou ao Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska e à Secretaria Municipal de Saúde informações sobre novos atendimentos realizados entre março e julho de 2026, além de esclarecimentos sobre os protocolos de comunicação com o DSEI Yanomami no momento da alta hospitalar e as medidas adotadas para garantir a continuidade do tratamento nas aldeias.

O inquérito civil permitirá ao Ministério Público aprofundar a apuração dos fatos e, caso sejam identificadas irregularidades, adotar as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para assegurar o atendimento adequado às crianças indígenas.

 

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