(Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)
Manaus (AM) – O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou nesta terça-feira (1º) explicações do ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de informações de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens e documentos envolvendo o integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Flávio elevou o tom contra Moraes e afirmou que, caso as suspeitas levantadas a partir do material sejam comprovadas, o ministro não teria condições de permanecer no Supremo.
A manifestação ocorre após o ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, tornar público material da investigação que reúne mensagens, registros de encontros e documentos relacionados a Vorcaro e Moraes.
Entre os pontos que ganharam maior repercussão está um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Segundo informações reveladas a partir da investigação, Moraes teria participado da análise do contrato antes da formalização do acordo.
O escritório, no entanto, afirma que o ministro foi consultado apenas para avaliar se existia algum impedimento jurídico para a contratação da banca de sua esposa e que nenhum obstáculo foi identificado. Também sustenta que os serviços advocatícios contratados foram prestados.
A existência do contrato, das mensagens e dos contatos não comprova, por si só, que Moraes tenha cometido irregularidade ou atuado para beneficiar Vorcaro.
Flávio mira permanência de Moraes no STF
Ao comentar as revelações, Flávio Bolsonaro cobrou esclarecimentos sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro e condicionou sua crítica mais dura à eventual comprovação das suspeitas.
Para o candidato do PL, os fatos revelados precisam ser esclarecidos diante da dimensão financeira do contrato e da posição ocupada por Moraes no Supremo.
A declaração também leva o caso para o centro da disputa política. Moraes mantém um longo histórico de confrontos com Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e aliados do ex-presidente, principalmente em investigações e processos conduzidos no STF nos últimos anos.
Agora candidato ao Palácio do Planalto, Flávio usa as novas revelações para ampliar as críticas ao ministro e pressionar por respostas sobre os contatos identificados pela Polícia Federal.
PGR questiona investigação
Além da repercussão política, a divulgação do relatório abriu uma discussão jurídica dentro do próprio Supremo.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela nulidade da ordem de André Mendonça que permitiu o aprofundamento da análise de elementos relacionados a Moraes.
A discussão levantada pela PGR está relacionada ao procedimento adotado para investigar fatos envolvendo um integrante do STF e não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade cometida por Moraes.
O caso, portanto, permanece cercado por duas frentes: de um lado, a apuração sobre mensagens, encontros e documentos envolvendo Vorcaro e Moraes; de outro, a discussão dentro do sistema de Justiça sobre a validade das diligências que levaram ao aprofundamento dessas informações.
Enquanto o impasse jurídico avança, as revelações já entraram definitivamente no debate eleitoral, com Flávio Bolsonaro transformando o episódio em mais uma frente de pressão política contra Alexandre de Moraes.
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