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Manaus, 1 de setembro de 2026

Brasil

Indicado por Bolsonaro, Ministro André Mendonça tira sigilo e expõe relação de Moraes com Vorcaro

Relatório da PF traz mensagens, encontros e contrato milionário do Banco Master com escritório da esposa do ministro do STF.

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(Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado/ Senado Bruno Peres/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Um relatório da Polícia Federal tornado público nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, colocou no centro do noticiário a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material reúne mensagens, documentos e informações sobre encontros, além de elementos relacionados a um contrato de cerca de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa de Moraes.

A indicação de Mendonça ao Supremo foi oficializada por Bolsonaro em julho de 2021. Ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União durante o governo Bolsonaro, teve o nome aprovado pelo Senado em dezembro daquele ano para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.

Entre os pontos que ganharam maior repercussão no material da PF está o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O acordo previa pagamentos que poderiam chegar a aproximadamente R$ 131 milhões ao longo de três anos. A investigação também analisou documentos e metadados relacionados ao contrato.

O escritório confirmou que Moraes analisou o documento, mas afirmou que a participação do ministro ocorreu para verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação da banca de sua esposa. A defesa também sustenta que os serviços previstos foram efetivamente prestados e que Moraes não julgou processos envolvendo o Banco Master.

Mensagens entram no radar da PF

Além do contrato milionário, o relatório apresenta mensagens atribuídas a Vorcaro e contatos envolvendo Moraes no período anterior à primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Parte das conversas analisadas pela Polícia Federal contém referências a autoridades e pedidos relacionados à situação enfrentada pelo Banco Master. Os investigadores passaram a examinar se os diálogos revelam apenas uma relação pessoal e institucional ou se houve algum tipo de atuação em benefício do banqueiro.

O material também reúne informações sobre encontros entre Vorcaro e Moraes ao longo de 2024 e 2025.

A existência das mensagens e dos encontros, entretanto, não comprova por si só a prática de irregularidade. Também não significa que eventuais pedidos atribuídos a Vorcaro tenham sido atendidos pelo ministro ou por outras autoridades citadas no material.

Mendonça tira sigilo

O caso ganhou dimensão ainda maior após André Mendonça retirar o sigilo do relatório e defender que os elementos envolvendo outro integrante do Supremo sejam submetidos à análise do plenário da Corte.

A divulgação levou informações que estavam restritas à investigação para o centro de uma crise institucional dentro do próprio STF.

O episódio também provocou reação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet se manifestou pela nulidade da ordem de Mendonça que permitiu o aprofundamento da análise de elementos relacionados a Moraes.

A discussão da PGR não representa, por si só, uma conclusão sobre a veracidade das mensagens ou sobre eventual irregularidade envolvendo Moraes. O questionamento está relacionado à competência e ao procedimento adotado para investigar fatos envolvendo um ministro do Supremo.

Na avaliação apresentada pela Procuradoria, diante do surgimento de elementos relacionados a um integrante da Corte, novas diligências não poderiam avançar da maneira como foram determinadas sem a observância do procedimento considerado adequado pela PGR.

Caso chega ao centro do STF

Com a divulgação do relatório, o caso passou a concentrar duas discussões diferentes: o conteúdo das mensagens, documentos, contratos e encontros identificados durante a investigação e, paralelamente, a validade jurídica das diligências que aprofundaram a apuração.

No centro da primeira frente está a relação de Vorcaro com Moraes e o contrato milionário celebrado pelo Banco Master com o escritório da esposa do ministro.

Na segunda, está o embate sobre até onde um ministro do Supremo pode avançar, individualmente, em diligências quando uma investigação passa a alcançar outro integrante da própria Corte.

A controvérsia deverá agora avançar dentro do STF, enquanto o conteúdo revelado pela Polícia Federal aumenta a pressão por esclarecimentos sobre a extensão da relação entre Vorcaro e Moraes e sobre os negócios mantidos pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes.

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