Adail Filho e Adail Pai, deputado federal e prefeito de Coari, respectivamente (Foto: Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – A 18 dias do primeiro turno das eleições de 2026, uma operação da Polícia Federal colocou novamente o grupo político de Adail Filho no centro de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Amazonas.
Deflagrada nesta quarta-feira (16), a Operação Dinastia do Lago cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos está o deputado federal Adail Filho. O pai dele, Adail Pinheiro, prefeito de Coari, foi afastado do cargo por decisão judicial.
A investigação ganhou força depois que a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, em maio de 2025, com empresários amazonenses. A partir da análise do material, a apuração avançou sobre possíveis relações financeiras entre empresas investigadas e integrantes do grupo político de Coari.
O episódio agora retorna ao cenário político justamente no momento em que as campanhas entram na reta final do primeiro turno.
Dinheiro vivo abriu caminho para investigação
A origem da operação está em uma apreensão que chamou atenção pelo volume de dinheiro em espécie.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, os empresários abordados pela PF tinham relações empresariais com a administração de Coari. A apuração passou a examinar possíveis irregularidades em contratos públicos e movimentações financeiras.
O caso chegou ao STF e passou a envolver diretamente Adail Filho e Adail Pinheiro. A investigação apura se houve direcionamento de licitações, corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Até o momento, não há condenação dos investigados pelos fatos apurados nesta operação. As medidas realizadas nesta quarta-feira fazem parte da fase de investigação.
O que Adail Filho dizia quando o STF abriu o inquérito
Em abril, quando o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito no Supremo Tribunal Federal, Adail Filho afirmou que havia tomado conhecimento da investigação pela imprensa e que sua defesa havia solicitado acesso integral aos autos.
O deputado negou qualquer irregularidade e disse que prestaria os esclarecimentos necessários após conhecer o conteúdo da investigação. Naquele momento, a defesa sustentava que o parlamentar não tinha envolvimento com os fatos investigados e manifestava confiança na Justiça.

Durante a Operação Dinastia do Lago, dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
A Prefeitura de Coari também negou irregularidades nos contratos citados na investigação. Segundo a manifestação divulgada à época, Adail Pinheiro afirmou que os empresários envolvidos na apreensão de dinheiro tinham atuação empresarial de longa data e contratos em diferentes municípios do Amazonas. A defesa do prefeito também afirmou que medidas jurídicas estavam sendo adotadas e negou ilegalidades nos contratos com a prefeitura.
O discurso, portanto, era de negação de irregularidades e confiança no esclarecimento dos fatos.
Adail Pinheiro é afastado
Além das buscas, a decisão judicial determinou o afastamento de Adail Pinheiro da Prefeitura de Coari. O afastamento aumenta o peso político da operação porque atinge diretamente o núcleo que administra o município e mantém influência sobre a política local.
Adail Filho, por sua vez, é deputado federal e um dos principais nomes do grupo político familiar. A operação, portanto, ultrapassa o ambiente administrativo de Coari e alcança diretamente uma liderança com atuação na política estadual e nacional.

Operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16) mira integrantes e pessoas ligadas ao Clã Pinheiro em Coari e Manaus (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Operação chega no pior momento para o grupo
O fator eleitoral torna a operação ainda mais sensível.
Faltando pouco mais de duas semanas para o primeiro turno, a investigação coloca o grupo de Adail diante de uma crise política que não pode ser ignorada. O impacto eleitoral, entretanto, dependerá da repercussão do caso entre os eleitores e dos desdobramentos da própria investigação.
O que já existe, objetivamente, é uma operação autorizada pelo STF, buscas em endereços ligados aos investigados e o afastamento do prefeito de Coari.
O restante ainda está sob investigação.
É justamente aí que está a diferença entre fato e discurso político: a PF investiga suspeitas. A operação não equivale a uma condenação e não permite afirmar, neste momento, que Adail Filho ou qualquer outro alvo tenha cometido os crimes investigados.
Um velho problema volta ao centro do debate
A operação também recoloca Coari no centro de discussões sobre contratos públicos e concentração de poder político.
O sobrenome Adail já esteve no centro de outras investigações ao longo dos anos. O atual caso, porém, possui uma apuração própria e deve ser tratado a partir dos elementos reunidos pela PF e das decisões judiciais relacionadas à operação.
A diferença agora é o momento político. A investigação chega 18 dias antes do primeiro turno, atinge o prefeito de um dos principais municípios do interior do Amazonas e alcança um deputado federal em pleno processo eleitoral.
Para o grupo político de Adail Filho, a questão deixa de ser apenas jurídica. Passa a ser também uma crise de imagem e de discurso em plena campanha.
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