(Foto: Divulgação/ Assessoria e Reprodução/ Redes Sociais I Montagem Portal AM1)
Manaus (AM) – A reta final da campanha eleitoral no Amazonas ganhou um novo foco de pressão sobre o governador Roberto Cidade (União Brasil): prefeitos e secretários municipais passaram a cobrar publicamente a regularização de recursos destinados à saúde do interior.
Enquanto a campanha entra nos últimos dias, municípios relatam atrasos no FTI e no Termo de Compromisso de Gestão (TCG), usados para custear medicamentos, insumos e procedimentos.
A cobrança não parte de uma única prefeitura. Gestores de Amaturá, Boa Vista do Ramos, Ipixuna, Nhamundá e Parintins se manifestaram pela regularização dos pagamentos. Prefeitos de Envira e Beruri também apoiaram a mobilização.
Secretários e equipes de saúde de Apuí, Coari, Eirunepé, Humaitá, Itapiranga, Japurá, Lábrea, Novo Aripuanã e Presidente Figueiredo também fizeram manifestações. Em Tefé, participaram a secretária municipal de Saúde e o diretor do Hospital Regional. Em Manicoré, a cobrança contou com Adriana Moreira, secretária municipal de Saúde e presidente do Cosems-AM.
O problema, portanto, deixou de parecer uma reclamação isolada de uma prefeitura e passou a reunir diferentes municípios em torno da mesma cobrança.
Marcelo Ramos sobe o tom
O ex-deputado federal Marcelo Ramos aproveitou o cenário para direcionar uma dura crítica ao governador.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Marcelo Ramos chamou Roberto Cidade de “caloteiro” e afirmou que o atual governo não estaria cumprindo compromissos de repasses assumidos anteriormente.
“Governador, deixe de ser caloteiro, tome vergonha na cara e repasse o dinheiro dos municípios”, afirmou o ex-deputado federal.
Marcelo Ramos também estabeleceu uma conexão política entre a atual gestão e o governo anterior, ao lembrar que Roberto Cidade foi vice-governador de Wilson Lima. Segundo ele, compromissos firmados ainda na gestão anterior passaram a não ser cumpridos depois da mudança no comando do Executivo.
O problema chegou à campanha
Enquanto Roberto Cidade disputa votos na reta final da eleição, prefeitos e profissionais da saúde do interior passaram a cobrar publicamente recursos que, segundo eles, são necessários para manter serviços básicos em funcionamento.
Em 6 de fevereiro de 2025, durante o governo Wilson Lima, foi firmado um Termo de Compromisso de Gestão (TCG) com municípios do interior. Segundo Marcelo Ramos, o acordo previa que o Estado deixaria de fornecer diretamente medicamentos de média complexidade e passaria a repassar recursos para que as prefeituras realizassem a aquisição.
O termo estabelecia que os repasses seriam feitos de forma quadrimestral. O ex-deputado afirma que os três quadrimestres de 2025 foram pagos, assim como o primeiro quadrimestre de 2026. Depois disso, segundo ele, os repasses deixaram de ser realizados.
Marcelo Ramos citou valores que, segundo ele, estariam pendentes para alguns municípios. A estimativa apresentada pelo ex-deputado é de R$ 1,693 milhão para Manicoré, R$ 2,895 milhões para Humaitá, R$ 1,109 milhão para Lábrea e R$ 2,618 milhões para Tefé.
O ex-deputado também citou um acordo firmado em 5 de dezembro de 2025, durante o governo Wilson Lima, para o repasse de recursos do FTI destinados à saúde dos municípios do interior. O compromisso envolvia R$ 160,05 milhões.
De acordo com o ex-deputado, parte desse recurso ainda não teria sido repassada pelo atual governo. O município de Parintins é um dos afetadas conforme confirmação informada pelo AM1 sobre a pendência chega a R$ 2,758 milhões.
Na avaliação de Marcelo Ramos, a falta dos recursos tem impacto direto na rotina das unidades de saúde. Afirmou que o dinheiro seria necessário para a compra de medicamentos e insumos utilizados em procedimentos hospitalares.
“Isso é dinheiro que está faltando para comprar antibiótico injetável, anestesia para as cirurgias no interior.”
Cobrança na CIB
Marcelo Ramos também citou uma reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), prevista para 31 de agosto de 2026, na Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo ele, secretários municipais de saúde foram a Manaus para cobrar a regularização dos recursos do TCG e do FTI.
“Os secretários do interior vieram todos para cá para cobrar o pagamento dos recursos do TCG e do FTI.”
Na sequência, o ex-deputado afirmou que a reunião não teria acontecido porque representantes da Secretaria de Estado de Saúde não participaram.
“O secretário de Saúde simplesmente desmobilizou todos os representantes da SES na reunião. E não houve reunião porque a reunião tem que ter as duas partes, o Estado e o município.”
O ex-deputado encerrou a declaração voltando a cobrar diretamente Roberto Cidade:
“Governador, deixe de ser caloteiro, tome vergonha na cara e repasse o dinheiro dos municípios.”
O discurso de prioridade sob cobrança
O episódio cria um contraste que ganha força na reta final da campanha: enquanto o discurso político coloca a saúde entre as prioridades, municípios do interior afirmam que precisam cobrar o próprio Governo do Estado para receber recursos destinados justamente à manutenção da rede.
Em Nhamundá, a prefeitura foi direta ao afirmar que tem recorrido a emendas parlamentares e outros recursos para manter medicamentos, médicos e especialistas disponíveis.
Em Ipixuna, a cobrança também veio acompanhada de relatos sobre a necessidade de materiais como luvas, gases e algodão para procedimentos hospitalares.
Pressão cresce antes da votação
A poucos dias da votação, a cobrança coloca Roberto Cidade diante de uma situação politicamente incômoda: não são apenas adversários eleitorais que estão falando sobre os atrasos, mas gestores municipais e equipes de saúde de diferentes regiões do Amazonas.
Agora, cabe ao Governo do Amazonas apresentar os valores efetivamente pendentes, explicar os motivos dos atrasos e informar quando os recursos serão repassados.
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