(Foto: Divulgação/ Assessoria e Reprodução/ Redes Sociais I Montagem Portal AM1)
Manaus (AM) – A falta de regularização de repasses estaduais destinados à saúde colocou prefeitos, secretários municipais e equipes de saúde de diferentes regiões do Amazonas em uma cobrança conjunta ao Governo do Estado. Os gestores pedem a definição de datas para o pagamento de valores pendentes do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI) e do Termo de Compromisso de Gestão (TCG).
A mobilização reúne municípios como Nhamundá, Ipixuna e Parintins, além de manifestações de gestores de Amaturá, Boa Vista do Ramos, Envira e Beruri. Secretários e equipes de saúde de Apuí, Coari, Eirunepé, Humaitá, Itapiranga, Japurá, Lábrea, Novo Aripuanã e Presidente Figueiredo também participaram das cobranças.
O tamanho da mobilização chama atenção porque a reclamação deixou de ser pontual. Diferentes municípios relatam o mesmo problema: recursos previstos para ajudar a financiar a saúde que não chegaram no prazo esperado.
FTI tem repasse previsto para a saúde
A cobrança envolve o FTI, fundo estadual utilizado para financiar ações nos municípios do interior. Em maio de 2026, o Governo do Amazonas publicou decreto estabelecendo os critérios para a transferência de recursos do FTI destinados à saúde, com previsão de três parcelas anuais. O próprio decreto define os recursos como transferência legal fundo a fundo para financiar ações e serviços públicos de saúde nos municípios. Legisla.AM
É justamente nesse ponto que aparece a principal pressão dos prefeitos.
Em Parintins, por exemplo, a segunda parcela deveria ter sido repassada em agosto. O município calcula o valor pendente em aproximadamente R$ 2,7 milhões e afirma que os recursos são utilizados na manutenção dos serviços de saúde, custeio e investimentos. Prefeitura de Parintins
O problema ganha peso porque o atraso não significa apenas uma linha a menos no orçamento municipal. Na ponta, o dinheiro está relacionado a despesas que precisam continuar sendo pagas independentemente da demora no repasse.
Nhamundá cobra após cinco meses
Em Nhamundá, a prefeitura afirma que a segunda parcela do FTI está atrasada há cinco meses.
Em manifestação pública, a gestão municipal cobrou uma resposta do Governo do Amazonas e afirmou que vem utilizando outros recursos para manter a estrutura de saúde funcionando.
A prefeitura cita medicamentos, atendimento médico e especialistas entre os serviços que precisam ser mantidos enquanto o repasse estadual não é regularizado.
O discurso revela o principal problema provocado pelo atraso: o município continua tendo que pagar a conta mesmo quando o recurso estadual não chega.
Em Ipixuna, cobrança envolve FTI e TCG
Em Ipixuna, a pressão também chegou à unidade hospitalar do município. Servidores da saúde participaram de uma manifestação cobrando o Governo do Amazonas.
Segundo a prefeitura, há mais de quatro meses de pendência em recursos previstos no Termo de Compromisso de Gestão, além da cobrança pelo FTI.
A gestão afirma que o dinheiro é utilizado para aquisição de materiais médico-hospitalares, como luvas, gases e algodão, além de insumos necessários para cirurgias eletivas e outros procedimentos.
Na prática, são itens básicos para o funcionamento de uma unidade hospitalar.
TCG coloca municípios na linha de frente
O TCG é utilizado para estabelecer responsabilidades e fluxos de financiamento entre Estado e municípios na gestão dos serviços de saúde. A própria SES-AM explica que esse modelo define atribuições de cada ente e prevê repasses para a gestão municipal.
É essa divisão de responsabilidades que torna a cobrança dos municípios mais sensível.
Quando o recurso não chega, a prefeitura precisa encontrar alternativas para evitar que a falta de dinheiro se transforme em falta de medicamento, material ou atendimento.
Em outras palavras: o atraso financeiro não fica restrito aos gabinetes das prefeituras. Ele chega à unidade de saúde.
Mobilização se espalha pelo interior
A lista de municípios envolvidos mostra que a pressão ganhou dimensão regional.
Em Tefé, participaram das manifestações a secretária municipal de Saúde e o diretor do Hospital Regional. Em Manicoré, a cobrança contou com Adriana Moreira, secretária municipal de Saúde e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM).
Também houve manifestações de equipes e secretários de Apuí, Coari, Eirunepé, Humaitá, Itapiranga, Japurá, Lábrea, Novo Aripuanã e Presidente Figueiredo.
O cenário coloca uma questão objetiva para o Governo do Amazonas: se os recursos estão previstos para a saúde municipal, por que os municípios ainda precisam cobrar publicamente o pagamento?
Governo precisa explicar os atrasos
O Governo do Amazonas mantém, em seus próprios canais, a defesa de uma estrutura de governança voltada à transparência, ao acompanhamento de resultados e à eficiência na gestão do SUS.
É justamente por isso que a pressão dos municípios exige uma resposta objetiva.
Os gestores querem saber quanto está pendente, quais pagamentos estão programados e quando os recursos chegarão às contas municipais.
Enquanto isso, as prefeituras afirmam que continuam tendo de manter a saúde funcionando com recursos próprios e outras fontes de financiamento.
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