Manaus, 4 de outubro de 2026
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Cenário

Roberto Cidade chega à eleição com governo de seis meses marcado por operações da PF

Órgãos estaduais foram alvo de buscas em investigações sobre supostas irregularidades eleitorais.

Roberto Cidade chega às urnas após seis meses no governo marcados por operações da PF (Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – O governador Roberto Cidade (União Brasil) chega ao primeiro turno das eleições, neste domingo (4), com um governo de seis meses marcado por operações da Polícia Federal e investigações eleitorais. Candidato à reeleição, Cidade viu órgãos ligados à estrutura estadual serem alvo de buscas em meio a apurações sobre o suposto uso da máquina pública para fins eleitorais.

Em 3 de setembro, a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam), vinculada ao governo estadual, foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito de uma investigação eleitoral. A apuração envolve a transferência de 19 servidores de Manaus para municípios do interior. A Justiça Eleitoral suspendeu as mudanças após apontar, em análise preliminar, possível conduta vedada pela legislação eleitoral e risco de “contaminação do pleito”.

A investigação ganhou novos elementos após a PF identificar que a Aadesam teria tido conhecimento prévio da ordem judicial de busca e apreensão. Segundo relatório dos investigadores, um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos foi encaminhado para manutenção na manhã da operação e posteriormente apresentado aos agentes como “corrompido”, sem avançar além da tela de BIOS. O equipamento foi apreendido para perícia, que deverá apontar se houve falha técnica, formatação, apagamento ou alteração de dados.

Em 4 de setembro, um dia após a primeira diligência, a PF voltou à sede da Aadesam para dar continuidade à coleta de documentos e informações. A movimentação ocorreu dentro da mesma investigação eleitoral, que apura possíveis abusos de poder político e econômico relacionados à campanha de Roberto Cidade.

Segurança Pública também entrou no radar

A mais recente ofensiva ocorreu em 1º de outubro, apenas três dias antes da votação. A Polícia Federal, sob condução do Ministério Público Eleitoral, cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e em endereços ligados ao ex-secretário da pasta, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, candidato a deputado estadual pelo Podemos.

Segundo o Ministério Público Federal, a investigação apura o possível uso de veículo oficial da SSP, servidores públicos durante o horário de expediente e a atuação de um servidor não afastado como coordenador de campanha. A apuração também identificou um imóvel que não teria sido declarado à Justiça Eleitoral e que seria utilizado como estrutura de apoio à campanha. Cerca de R$ 100 mil em espécie foram apreendidos na residência de um dos alvos.

Embora o principal alvo seja o ex-secretário e candidato, a operação atingiu diretamente uma das principais estruturas do governo estadual e colocou a Segurança Pública no centro de uma investigação eleitoral às vésperas da votação.

Operação de 2022 amplia o desgaste

Outro episódio que passou a fazer parte do ambiente político da campanha foi a Operação Combustão, deflagrada pela PF em 24 de setembro. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores em uma investigação sobre possível desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular relacionados às eleições de 2022.

A investigação envolve contratos firmados pela Aadesam e a circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas. Os fatos, porém, são relacionados ao pleito de 2022 e não à atual campanha de Roberto Cidade. Naquele ano, o Amazonas era governado por Wilson Lima, hoje candidato ao Senado e aliado político de Cidade.

Mesmo sem ligação direta com a administração atual, o episódio acrescentou pressão sobre uma estrutura pública que já vinha sendo alvo de questionamentos e operações durante a atual campanha.

Um governo de poucos meses

Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas em 4 de abril, após a renúncia de Wilson Lima e do então vice-governador Tadeu de Souza. Naquele momento, Cidade ocupava a Presidência da Assembleia Legislativa e passou a comandar o Estado interinamente. Um mês depois, em 4 de maio, foi eleito pela própria Aleam, por votação indireta, para completar o mandato até janeiro de 2027.

Agora, seis meses depois de chegar ao Palácio do Governo, Cidade tenta transformar o mandato-tampão em um mandato conquistado pelo voto popular. A campanha, no entanto, chega ao primeiro turno acompanhada por uma sucessão de episódios envolvendo órgãos ligados ao Estado, decisões da Justiça Eleitoral e investigações sobre possíveis irregularidades eleitorais.

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