Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Mundo

Nicolás Maduro ordenou fechamento da fronteira com o Brasil

A medida foi tomada a dois dias da data anunciada pela oposição venezuelana, liderada pelo presidente autoproclamado Juan Guaidó, para a entrega de ajuda humanitária

Foto: Reprodução

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou o fechamento da fronteira com o Brasil a partir da noite desta quinta-feira (21).

“Decidi, no sul da Venezuela, a partir das 20h deste 21 de fevereiro, que ficará fechada total e absolutamente, até novo aviso, a fronteira terrestre com o Brasil”, afirmou Maduro em reunião com o alto comando militar.

A medida foi tomada a dois dias da data anunciada pela oposição venezuelana, liderada pelo presidente autoproclamado Juan Guaidó, para a entrega de ajuda humanitária armazenada em pontos da fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil.

Maduro indicou que também está considerando fechar a fronteira com a Colômbia e que a decisão sobre a fronteira brasileira se deu por causa do apoio do Brasil aos planos da oposição.

O presidente afirmou que a ajuda humanitária, que foi enviada pelos EUA, é uma “provocação” e que os planos da oposição são um “pobre espetáculo” para fragilizar seu governo.

“Esse é um show montado pelo governo dos Estados Unidos com a complacência do governo colombiano para humilhar os venezuelanos. A Venezuela tem os problemas que qualquer outro país pode ter”, afirmou Maduro em entrevista à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC) neste mês.

Segundo ele, “os Estados Unidos tentaram criar uma crise humanitária para justificar uma intervenção militar”.

Os caminhões enviados pelos americanos estão atualmente estacionados perto da ponte Tienditas, que continua bloqueada por tropas venezuelanas.

Procurada pela BBC News Brasil, a Presidência da República brasileira afirmou que não se manifestará sobre a decisão de Maduro.

A crise na Venezuela

Em janeiro, Maduro foi empossado para mais seis anos de mandato após eleições realizadas em 2018 – amplamente contestadas pela oposição e por vários países e órgão internacionais.

Naquele mês, a crise política se acirrou quando Guaidó se proclamou presidente encarregado da Venezuela e teve sua legitimidade reconhecida por mais de 50 países, entre os quais o Brasil.

O isolamento internacional de Maduro se acentuou no início deste mês, com quase duas dezenas de países da União Europeia também reconheceram Guaidó, entre eles Alemanha, França e Espanha. O mesmo ocorreu com a maioria dos países latino-americanos integrantes do Grupo de Lima, exceto o México.

A crise econômica da Venezuela tem provocado dificuldade de acesso a produtos básicos, inclusive a alimentos. A inflação, os altos preços e a perda do poder aquisitivo dos venezuelanos têm gerado bastante obstáculos para comprar esses produtos.

Oficiais do Exército foram encarregados de distribuir petróleo, arroz, café e outros alimentos básicos, bem como papel higiênico, absorventes e fraldas.

Apesar do apoio de líderes militares, a história é diferente nas patentes mais baixas.

A maioria destes militares teve de enfrentar a penúria econômica da Venezuela, assim como todos os cidadãos comuns no país. Ao contrário dos altos oficiais, os escalões inferiores sofreram com falta de combustível, escassez de alimentos e hiperinflação – e há um crescente descontentamento.

Um dos principais efeitos da crise é a saída de venezuelanos do país. Segundo a Agência de Migração da ONU, cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela nos últimos anos, o que equivale a 7% da população.

Com informações da BBC