Manaus, 29 de outubro de 2026
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Manaus, 29 de outubro de 2026

Cenário

Governo do Amazonas contesta cobrança de R$ 250 milhões pelo Passe Livre Estudantil

Estado afirma estar em dia com os pagamentos de 2026 e mantém disputa judicial com o Sinetram sobre valores referentes ao primeiro semestre de 2025.

Passe estudantil gratuito envolve disputa judicial em Manaus (Foto: Karla Vieira/Semcom)

Manaus (AM) – O Governo do Amazonas contestou a cobrança de aproximadamente R$ 250 milhões apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) pelo fornecimento de passagens do Passe Livre Estudantil no primeiro semestre de 2025. O Estado afirma que está em dia com os pagamentos do benefício referentes a 2026 e informou que a parcela de outubro foi quitada em 23 de outubro.

A manifestação foi divulgada após o Sinetram afirmar que as empresas de ônibus enfrentam dificuldades financeiras para continuar fornecendo novas passagens estudantis sem receber os valores que consideram pendentes. Segundo o sindicato, os créditos já disponíveis nos cartões dos estudantes poderão ser utilizados normalmente.

Em nota, o governo destacou que sua responsabilidade se limita ao custeio do benefício destinado aos alunos da rede estadual de ensino. A administração estadual também atribuiu à Prefeitura de Manaus a responsabilidade pela gestão, operação, manutenção e fiscalização do transporte coletivo urbano da capital.

Governo questiona valor cobrado pelo Sinetram

Por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governo informou que mantém uma disputa judicial com o Sinetram e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) sobre os valores referentes a 2025.

A PGE questiona o montante cobrado pelas empresas e afirma que os custos apresentados não foram suficientemente demonstrados. Para o órgão, o valor de R$ 250 milhões é desproporcional e precisa ser analisado à luz dos dados do sistema de transporte.

O governo também contestou a interpretação do sindicato sobre uma decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que revogou uma liminar anteriormente concedida ao Estado.

Segundo a PGE, a decisão foi objeto de recurso e não definiu qual tarifa deverá ser utilizada para calcular o custo das passagens. A definição, conforme o governo, depende do julgamento do mérito da ação, que ainda não foi concluído.

Sinetram defende uso da tarifa técnica

O Sinetram sustenta que a tarifa de remuneração, conhecida como tarifa técnica, foi indicada pelo TJAM como parâmetro para o custeio do benefício estudantil.

O sindicato também defende que o pagamento pelas passagens fornecidas aos estudantes não deve ficar condicionado ao encerramento da disputa judicial.

Em resposta, a PGE argumentou que eventual ressarcimento determinado pela Justiça deverá observar o regime de precatórios, previsto no artigo 100 da Constituição Federal.

O governo também questionou a realização de audiências de conciliação na Justiça do Trabalho, por entender que a controvérsia deve ser resolvida na Justiça estadual, no âmbito do TJAM. Segundo a PGE, os dados de bilhetagem poderão ser submetidos a perícia técnica para esclarecer os valores discutidos.

Disputa envolve audiências e continuidade do benefício

O Sinetram informou que o governo deixou de comparecer a duas audiências de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), apesar de ter sido intimado.

A administração estadual, por sua vez, afirmou não possuir relação jurídica com os trabalhadores do transporte rodoviário e defendeu que a discussão seja conduzida na Justiça estadual.

Sobre uma possível interrupção no fornecimento de novas passagens, o governo atribuiu ao sindicato a responsabilidade por eventual suspensão do benefício no último mês do ano letivo.

O Estado afirmou esperar que o impasse financeiro não prejudique os estudantes da rede pública estadual. Enquanto a disputa judicial permanece sem decisão definitiva sobre os valores cobrados, o Sinetram informa que os créditos já disponibilizados nos cartões estudantis continuam podendo ser utilizados.

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