Engeconsult, citada em investigação no RJ, anuncia obra no AM (Foto: Divulgação)
Parintins (AM) – A empresa Engeconsult Consultores Técnicos anunciou que vai atuar na supervisão das obras do Programa de Saneamento Integrado de Parintins (Prosai), no interior do Amazonas. O anúncio foi publicado no perfil institucional da companhia no LinkedIn e chama atenção porque a empresa aparece em uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM).
De acordo com a publicação, a Engeconsult participará da fiscalização técnica das intervenções previstas no programa, que reúne obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, urbanização, reassentamento e habitação, além da implantação de vias, parques e espaços públicos.
O Prosai Parintins é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e executado pelo Governo do Amazonas, por meio da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb).
Empresa aparece em denúncia no Rio de Janeiro
A Engeconsult é uma das empresas citadas na denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), do Ministério Público do Rio de Janeiro, em julho de 2026.
Segundo a investigação, contratos firmados entre o Instituto Rio Metrópole e a Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e a R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. teriam sido utilizados em um esquema que movimentou R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.
De acordo com o Ministério Público, parte dos valores pagos às empresas era posteriormente transferida ao Instituto Brazilian Institute of Organics (BIO), apontado pela investigação como uma entidade sem estrutura operacional compatível com os serviços contratados.
A denúncia sustenta que os recursos passavam por contratos considerados simulados, eram transferidos para a conta pessoal da presidente da entidade e posteriormente sacados em dinheiro. A operação financeira também envolveria uma empresa de segurança privada responsável pelo transporte dos valores.
Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas por suspeita de participação em crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão representantes da Engeconsult, conforme a acusação do MPRJ.
Auditoria identificou irregularidades
O caso ganhou repercussão após uma auditoria realizada pelo Governo do Rio de Janeiro identificar indícios de irregularidades nos contratos do Instituto Rio Metrópole. Segundo reportagens sobre a investigação, mesmo depois do anúncio da auditoria, em abril de 2026, houve novos aditivos em contratos considerados suspeitos.
Um dos contratos da Engeconsult, inicialmente firmado em aproximadamente R$ 20,5 milhões, teria alcançado R$ 58,29 milhões após sucessivos aditivos, conforme os dados apresentados na investigação.
Em julho, o Ministério Público deflagrou a Operação Ouroboros, que resultou em prisões e buscas relacionadas ao suposto esquema.
O que prevê o Prosai em Parintins
No Amazonas, o Prosai tem como objetivo ampliar a infraestrutura de saneamento, melhorar o abastecimento de água e reduzir problemas relacionados a alagamentos, além de promover intervenções urbanísticas e habitacionais.
Conforme informações do BID, o programa possui orçamento total de US$ 87,5 milhões, sendo US$ 70 milhões financiados pelo banco internacional e US$ 17,5 milhões de contrapartida do Governo do Amazonas.
Entre as intervenções previstas estão melhorias no sistema de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, construção de moradias e requalificação de espaços públicos.
A Engeconsult enviou nota ao Portal AM1 na qual nega a prática de qualquer irregularidade. A empresa afirma que, ao longo de quase 50 anos de atuação em todo o país, mantém o compromisso com o cumprimento das leis e das boas práticas de governança.
Sobre o contrato no Amazonas, a empresa declarou que a concorrência realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) seguiu os critérios de regularidade do processo internacional adotado pela instituição. A Engeconsult também informou que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e reiterou que sua atuação ocorreu dentro da legalidade.
O Portal AM1 aguarda o posicionamento da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) sobre os questionamentos apresentados na reportagem, incluindo informações sobre o processo de seleção e a situação da contratação. Até o momento, o órgão não respondeu. O espaço permanece aberto para manifestação.
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