Setor da construção quer ampliar prazo de transição para o fim da escala 6×1 (Foto: Divulgação)
A entidade argumenta que o prazo maior permitiria às empresas reorganizar as operações, renegociar contratos e investir na qualificação profissional e em novas tecnologias. A preocupação é especialmente relevante para a construção civil, setor que depende intensamente de mão de obra e já enfrenta dificuldades para preencher vagas.
Entidade propõe regras específicas para o setor
Entre as propostas está a definição de critérios nacionais para o cálculo do valor da hora trabalhada. A CBIC sugere divisores de 255 horas para jornadas de 42 horas semanais e de 243 horas para jornadas de 40 horas, ambas organizadas em escala 5×2.
A entidade também defende que uma jornada de 42 horas semanais possa ser distribuída em cinco dias, com expediente diário de 8 horas e 24 minutos, sem que os 24 minutos além da oitava hora sejam considerados horas extras.
Outro pedido é que a adequação da jornada possa ser negociada por meio de acordos ou convenções coletivas. A CBIC também solicita regras próprias para compensação de horas na construção civil, considerando fatores como condições climáticas, paralisações técnicas e diferentes etapas das obras.
O documento inclui ainda propostas sobre descanso semanal remunerado, banco de horas e trabalho em feriados. A entidade defende critérios uniformes em todo o país para evitar interpretações diferentes entre as regiões.
Setor calcula impacto na produção e nos custos
Segundo estimativas da CBIC, a redução da jornada poderá representar a perda de quase 600 milhões de horas de trabalho por ano. Para manter a capacidade produtiva atual, seriam necessários aproximadamente 300 mil novos profissionais.
A associação empresarial estima que os custos com mão de obra podem aumentar entre 10% e 15%, caso as mudanças sejam implementadas sem medidas de adaptação.
Na quarta-feira (4), uma comitiva da entidade, liderada pelo presidente Eduardo Aroeira Almeida, esteve em Brasília para apresentar as reivindicações ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
Construção registra recorde de empregos
Apesar das preocupações, o setor apresenta crescimento na geração de vagas. De acordo com dados compilados pela CBIC, a construção civil alcançou 3,150 milhões de trabalhadores com carteira assinada no país, número recorde desde o início da série do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em janeiro de 2020.
O total representa alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, foram criados 200,4 mil postos de trabalho.
O salário médio de admissão no setor chegou a R$ 2.642,46, acima da média nacional de entrada, de R$ 2.410,74.
Proposta também envolve o Bolsa Família
Entre os 11 pleitos apresentados ao governo federal, a CBIC incluiu ajustes nas regras de transição do Bolsa Família. A entidade propõe que beneficiários possam ingressar ou retornar ao mercado formal sem perder imediatamente o auxílio.
A intenção, segundo a associação, é estimular a formalização e ampliar a disponibilidade de trabalhadores, preservando a proteção social durante a transição para o emprego com carteira assinada.
As propostas foram encaminhadas ao Ministério do Trabalho e ainda dependem de avaliação do governo federal.
(*) Com informações da Agência Senado.
LEIA MAIS:




