Manaus, 25 de outubro de 2026
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Manaus, 25 de outubro de 2026

Política

A evolução do voto no Brasil: de eleições restritas ao voto eletrônico

Direito de escolher representantes passou por quase 500 anos de mudanças até chegar ao modelo de votação utilizado atualmente no país.

Do voto restrito à urna eletrônica: conheça a evolução do voto no Brasil (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

Brasil – O direito de votar no Brasil, hoje considerado uma das principais formas de participação política, nem sempre esteve disponível para a maioria da população. Ao longo de quase cinco séculos, as regras eleitorais passaram por profundas transformações, ampliando gradualmente o número de brasileiros aptos a participar das decisões políticas.

A história eleitoral brasileira começou ainda no período colonial. Em 23 de janeiro de 1532, moradores da Vila de São Vicente, em São Paulo, participaram de uma eleição para escolher representantes do Conselho Municipal. A votação, no entanto, estava longe de representar o sufrágio universal conhecido atualmente. O processo era restrito e seguia regras da legislação portuguesa.

Do período colonial ao Império

Durante o período colonial, as eleições aconteciam principalmente em âmbito local e eram destinadas a determinados grupos da sociedade. A participação estava ligada à condição social e ao reconhecimento como cidadão dentro das regras da época.

Com a chegada da Independência, em 1822, o Brasil passou a construir suas próprias instituições políticas, mas o sistema eleitoral continuou bastante restritivo.

Durante o Império (1822–1889), o voto era censitário, ou seja, dependia de determinados critérios de renda. Mulheres e pessoas escravizadas estavam excluídas da participação eleitoral.

Em 1821, antes mesmo da Independência, ocorreram as primeiras eleições gerais realizadas no território brasileiro para escolha de representantes às Cortes portuguesas. Naquele momento, homens livres podiam votar e os analfabetos ainda não estavam impedidos.

Uma mudança importante ocorreu em 1881, com a chamada Lei Saraiva, que proibiu o voto dos analfabetos. A medida provocou uma forte redução do eleitorado. Segundo estudo disponível na Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral, o número de eleitores caiu de mais de 1,1 milhão para cerca de 145 mil, aproximadamente 1,5% da população daquele período.

O voto no Brasil durante o período colonial e o Império (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

A República e o voto de cabresto

Com a Proclamação da República, em 1889, o país deixou de ser uma monarquia e adotou um novo sistema político. Porém, a mudança de regime não significou imediatamente uma ampla participação popular nas eleições.

Durante a Primeira República (1889–1930), o eleitorado continuou limitado. O período também ficou marcado pelo chamado voto de cabresto, prática associada ao poder de lideranças locais e à pressão exercida sobre eleitores.

A participação política estava, portanto, distante de ser igualitária. Mulheres e analfabetos continuavam sem direito ao voto, enquanto as relações de poder locais tinham grande influência sobre os resultados eleitorais.

Primeira República e o voto de cabresto: a influência dos coronéis nas eleições brasileiras (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

1932: uma das maiores mudanças eleitorais

Um dos principais momentos da história eleitoral brasileira ocorreu em 1932, com a criação do Código Eleitoral.

A legislação trouxe mudanças importantes para o sistema político brasileiro, entre elas a criação da Justiça Eleitoral, a adoção do voto secreto, a representação proporcional e o reconhecimento do direito das mulheres de votar.

O voto feminino representou uma conquista histórica. O direito foi posteriormente consolidado pela Constituição de 1934. A participação das mulheres, entretanto, ainda estava sujeita às regras eleitorais existentes naquele período.

O voto secreto também representou uma mudança importante ao reduzir a possibilidade de controle direto sobre a escolha do eleitor.

1932 marcou uma grande mudança no sistema eleitoral brasileiro, com o voto feminino, o voto secreto e a criação da Justiça Eleitoral (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

O período de ditadura e a suspensão das eleições

A história do voto brasileiro também passou por períodos de retrocesso. Durante o Estado Novo (1937–1945), instaurado por Getúlio Vargas, as eleições para cargos políticos foram suspensas. A Justiça Eleitoral também deixou de funcionar durante esse período e seria restabelecida posteriormente.

Anos depois, durante a ditadura militar (1964–1985), o processo eleitoral voltou a sofrer restrições. A população não escolhia diretamente o presidente da República, que era eleito de forma indireta.

Mesmo nesse período, eleições para outros cargos continuaram ocorrendo, embora submetidas às regras e limitações impostas pelo regime.

Durante o Estado Novo e a ditadura militar, o Brasil passou por períodos de restrição às eleições e à participação política (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

1985 e 1988: ampliação da participação

Outro avanço ocorreu em 1985, quando uma emenda constitucional restabeleceu o direito de voto aos analfabetos, de forma facultativa. A mudança encerrou uma restrição que havia sido imposta pela Lei Saraiva, em 1881.

Poucos anos depois, a Constituição Federal de 1988 consolidou uma nova etapa da democracia brasileira.

O artigo 14 estabelece que a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos.

A Constituição também determinou o voto obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos e tornou facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.

Em 1985 e 1988, o Brasil ampliou a participação política com novas garantias ao direito de voto (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

1996: a chegada da urna eletrônica

A evolução não parou com a Constituição de 1988. Em 1996, o Brasil realizou uma nova mudança que transformaria a maneira como os eleitores participam das eleições: a implantação da urna eletrônica.

O equipamento começou a ser utilizado naquele ano em parte do eleitorado brasileiro e, posteriormente, foi ampliado para todo o país.

A adoção do sistema eletrônico trouxe mais uma etapa para a história eleitoral brasileira, substituindo gradualmente as antigas cédulas de papel e tornando o processo de votação mais rápido.

A própria Justiça Eleitoral destaca que o uso de números para identificar candidatos, introduzido com o retorno do voto dos analfabetos, acabou contribuindo para o desenvolvimento posterior do sistema de votação eletrônica.

1996 marcou a chegada da urna eletrônica e uma nova etapa nas eleições brasileiras (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

Cabina de votação com urna eletrônica em escola de São Sebastião (DF) (Foto: Divulgação)

Do voto restrito ao voto universal

A trajetória do voto no Brasil revela uma mudança profunda: de um sistema inicialmente reservado a determinados grupos sociais para um modelo baseado na participação ampla da população.

Em diferentes momentos, o direito de votar foi condicionado por renda, sexo, escolaridade e condição social. Hoje, a Constituição estabelece o sufrágio universal e garante a participação eleitoral de grupos que foram historicamente excluídos.

A evolução também mostra que a democracia brasileira não foi construída de uma só vez. O direito ao voto passou por avanços, retrocessos e novas conquistas até chegar às regras atuais.

Do voto restrito ao voto universal: a trajetória da participação política no Brasil (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)

Uma história de quase 500 anos

De 1532, quando ocorreu a primeira eleição registrada no Brasil, em São Vicente, até as eleições realizadas com urnas eletrônicas, a forma de participação política dos brasileiros mudou completamente.

O que começou como uma eleição local e restrita durante o período colonial transformou-se em um sistema nacional no qual milhões de brasileiros podem escolher seus representantes pelo voto direto e secreto. A história do voto, portanto, também é a história da própria construção da cidadania no Brasil.

A evolução do voto no Brasil (Foto: IA / Montagem Portal AM1)

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