Foto: divulgação
Coari, AM – O juiz eleitoral Fábio Lopes Alfaia vai deixar o cargo no município de Coari a menos de um mês da eleição suplementar para decidir quem deve comandar a cidade. O anúncio do pedido de afastamento foi feito pelo próprio magistrado, nessa terça-feira (9), nas redes sociais.
Apontado pela oposição política dos Pinheiros, em Coari, como sendo “próximo” do ex-prefeito Adail Filho (PP), o juiz alegou que o desligamento deve “cessar indevidas discussões sobre a tranquilidade da condução do pleito”, previsto para o dia 5 de dezembro.
“Comunico ao público em geral que, na data de hoje (9), apresentei meu pedido de desligamento da presidência das eleições suplementares de Coari, de modo a cessar indevidas discussões sobre a tranquilidade da condução do pleito, tão bem realizado pelo Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas ao importar a expertise das eleições realizadas na capital para a realidade do processo eleitoral do interior do Estado”, escreveu Alfaia.
“Na oportunidade, agradecemos a confiança da presidência do TRE/AM na pessoa do desembargador @wwellington em nossa retidão pessoal e experiência profissional neste início de trabalhos, estando a disposição para quaisquer desafios que se apresentem. @treamazonas“, finalizou a publicação.

No mês passado, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM ) havia rejeitado o pedido do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para declarar o magistrado suspeito para julgar processos ajuizados contra a Prefeitura de Coari.
A ação judicial contra Alfaia foi apresentada em março de 2019 pelo promotor de Justiça Weslei Machado. A atuação dele no município coariense foi marcada por fortes embates com Alfaia e o ex-prefeito, Adail Filho, com acusações de imparcialidade entre o promotor e o juiz e troca de denúncias de calúnia entre Machado e Adail.
No entanto, o TJAM concluiu que o MP não comprovou se houve a parcialidade do juiz.
Também em outubro deste ano, moradores de Coari foram às ruas pedir afastamento de juiz supostamente ligado ao grupo político de Adail Filho. Segundo informações, o objetivo da manifestação seria impedir que Alfaia adotasse medidas que inviabilizassem “uma eleição democrática” no município.
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Agora, com a confirmação da saída dele de Coari, a eleição suplementar do município deverá ser conduzida pela juíza Mônica Raposo.
O anúncio do pedido de afastamento do magistrado foi comemorado pelo grupo do candidato Tiradentes Júnior (PSC), principal adversário do clã Pinheiro na eleição de dezembro. Inclusive, a ação que resultou na cassação de Adail Filho partiu da Coligação Ficha Limpa para Coari, encabeçada por ele.
Um dos interessados no caso, o advogado e jornalista Ronaldo Tiradentes, que é tio de Tiradentes Júnior, publicou que o juiz Alfaia pediu o afastamento do cargo ao Tribunal Regional Eleitoral “em meio à saraivada de denúncias de parcialidade de amizade íntima com a turma do Adail Filho”.

“Fabio Alfaia não sai, saíram com ele. Sinal de que haverá insenção e imparcialidade na eleição. Demorou demais….”, disparou Ronaldo em outra publicação nas redes sociais.
Nos últimos dias, Adail e Ronaldo trocaram farpas no WhatsApp e o apresentador ameaçou atirar no candidato. A denúncia foi feita por Adail, que recebeu apoio da irmã, a deputada estadual Mayara Pinheiro (PP).
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