Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Agentes penitenciários enfrentam depressão, ansiedade e obesidade, mostra pesquisa

Pesquisa nacional destaca a necessidade urgente de políticas de cuidado e valorização da categoria.

agentes-penitenciarios-enfrent

(Foto: Marcelo CamargoAgência Brasil)

Manaus (AM) – Um levantamento recente realizado com 22,7 mil agentes penitenciários em todo o Brasil revelou que pelo menos 10,7% da categoria recebeu diagnóstico de depressão nos últimos anos.

A pesquisa, conduzida entre 2022 e 2024, foi divulgada nesta semana pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além da depressão, os dados indicam que 20,6% dos servidores relataram transtorno de ansiedade, enquanto 4,2% afirmaram sofrer de transtorno do pânico.

Segundo o governo federal, os mais de 100 mil profissionais do sistema penitenciário desempenham funções estratégicas para a segurança pública, mas frequentemente têm suas demandas invisibilizadas.

Desafios do trabalho prisional

Segundo os organizadores da pesquisa, os resultados refletem as exigências emocionais e físicas impostas à categoria e o ritmo intenso de trabalho.

Apesar disso, a pesquisa aponta que 15,9% dos agentes estão “muito satisfeitos” com o trabalho, enquanto 59,3% se dizem “satisfeitos”.

No entanto, a sensação de falta de reconhecimento social é significativa: 50,7% afirmam que a sociedade raramente valoriza seu trabalho, e 33% dizem nunca se sentir reconhecidos.

Problemas de saúde física

A pesquisa também levantou dados sobre a saúde física dos agentes penitenciários. Entre os problemas mais comuns estão hipertensão arterial (18,1%), obesidade (12,5%) e doenças ortopédicas (12,3%).

Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, os resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas estruturadas de cuidado à categoria. “A partir deste diagnóstico, consolidamos um compromisso: ampliar o cuidado e garantir condições adequadas para que cada servidor exerça sua função com dignidade e qualidade”, afirmou.

O diretor de Políticas Penitenciárias, Sandro Abel Sousa Barradas, complementou que investir em bem-estar e valorização dos agentes impacta diretamente a segurança pública, garantindo mais eficiência e proteção dentro do sistema prisional.

Reconhecimento e cuidado são urgentes

Especialistas alertam que, além de medidas preventivas de saúde física e mental, é necessário fortalecer programas de acompanhamento psicológico e reduzir o estresse ocupacional da categoria, que enfrenta diariamente situações de risco e pressão emocional.

O levantamento evidencia que, enquanto os agentes penitenciários mantêm a segurança e o funcionamento das unidades prisionais, muitos de seus problemas de saúde e demandas emocionais continuam sem visibilidade.

(*) Com informações da Agência Brasil

LEIA MAIS: