(Foto: Semcom)
Manaus (AM) – O Brasil avançou na imunização infantil e conseguiu sair da lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgados na segunda-feira (15).
Vale destacar que o Brasil retomou a confiança da população na ciência, no Sistema Único de Saúde (SUS) e nas vacinas, conforme destaca o governo federal, que reforça a necessidade da vacinação em crianças no primeiro ano de vida, para evitar doenças já erradicadas no país.
Como, por exemplo, a vacina pentavalente (DTP), que previne cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pela bactéria H. influenzae tipo B (doenças graves que muitas vezes podem levar à morte).
Crianças de até 6 anos, 11 meses e 29 dias devem ser vacinadas contra a coqueluche, já que a vacinação é o principal meio de prevenção da doença.
O último pico epidêmico de coqueluche no Brasil ocorreu em 2014, quando foram confirmados 8.614 casos da doença. Entre 2015 a 2019, o número de casos confirmados variou entre 3.110 e 1.562. De 2019 a 2023, todos os estados brasileiros registraram casos de coqueluche. Sendo em Pernambuco o maior número de casos (776); seguido de São Paulo (300); Minas Gerais (253); Paraná (158); Rio Grande do Sul (148) e Bahia (122). No mesmo período, foram registradas 12 mortes pela doença, sendo 11 em 2019 e uma em 2020.
Em 2024, os números continuam alarmantes, somente em São Paulo já foram notificados 139 casos de coqueluche de janeiro até o início de junho – um aumento de 768,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 16 registros da doença no estado, segundo apontou a Secretaria de Saúde.
Por isso, é importante manter o esquema vacinal. O Ministério da Saúde reforça que a principal forma de prevenção da coqueluche é a vacinação de crianças menores de 1 ano. Porém, há a necessidade da aplicação de doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos. Gestantes e puérperas também precisam se imunizar, assim como os profissionais da área da saúde.
Para gestantes, como estratégia de imunização passiva de recém-nascidos, recomenda-se, desde 2014, uma dose da vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular tipo adulto), a partir da vigésima semana de gestação.
No estado do Rio de Janeiro, não tinha casos desde agosto de 2021; mas neste ano, já são 34 casos confirmados de coqueluche, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, que destaca ter intensificado as ações de prevenção.
Amazonas
Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), nos últimos anos houve redução no número de casos no Amazonas; porém, foram registrados 4 casos em 2022, quatro casos também em 2023 e um caso já no primeiro semestre deste ano.
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) reforça que a imunização faz parte do calendário básico vacinal para crianças a partir de 2 meses e está disponível em todas as salas de vacinas das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital amazonense.
Segundo o governo, até a primeira semana de junho, foram confirmados 31 casos da doença no Brasil. Contudo, pelo menos 17 países da União Europeia registram aumento de casos entre janeiro e dezembro do ano passado, com 25.130 ocorrências. De janeiro a março deste ano, 32.037 casos foram registrados na região. Na China, foram notificados 32.380 casos e 13 óbitos até fevereiro. A Bolívia também registra surto da doença, com 693 casos confirmados de janeiro a agosto de 2023.
Saiba
A coqueluche é uma infecção respiratória, transmissível e causada por bactéria (Bordetella Pertussis). Está presente em todo o mundo. Sua principal característica são crises de tosse seca. Pode atingir, também, tranqueia e brônquios.
Sintomas incluem vômitos e falta de ar. O quadro pode levar à cianose, estado em que a pessoa fica com uma coloração azul-arroxeada pela falta de oxigenação no sangue.
Dependendo do estado da imunização, ela pode causar pneumonia, convulsões e comprometimento do sistema nervoso, e até levar à morte.
Os principais fatores de risco para coqueluche têm relação direta com a falta de vacinação.
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