(Foto: Reprodução/Freepik)
Manaus (AM) – O Amazonas é o estado da região Norte que apresenta a maior taxa de detecção de AIDS. Apesar de ser uma temática que acompanha as questões de saúde pública desde 1980, quando o primeiro caso de HIV no Brasil foi registrado na cidade de São Paulo, o tema ainda é recheado de estigmas sociais.
Pela definição do Ministério da Saúde, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma doença infecciosa causada pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Esse vírus ataca o sistema imunológico, o qual é o responsável por defender o organismo de doenças.
Devido ao tabu imposto sobre o tema, surgem muitas dúvidas acerca do assunto, que podem travar o desenvolvimento de medidas eficazes para o tratamento do vírus e das eventuais infecções causadas. Afinal, qual a diferença entre HIV e AIDS?
HIV x AIDS
Embora as denominações sejam constantemente confundidas, os termos não representam sinônimos. Uma pessoa infectada pelo HIV pode viver anos sem o desenvolvimento da doença, isso ocorre quando existe um tratamento adequado.
É nesse momento que o tabu imposto sobre a temática atrapalha o tratamento de pessoas infectadas. Sem a identificação precoce e o procedimento apropriado, o HIV pode, eventualmente, enfraquecer o sistema imunológico da pessoa e permitir a entrada de doenças oportunas, causando assim, o desenvolvimento da AIDS.
A doutora Marli Sasaki, médica infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, explica a importância de desenvolver estratégias eficazes para a conscientização acerca do assunto a fim de evitar a caracterização de tabu sobre o HIV e AIDS.
“Para que o HIV deixe de ser tabu no Brasil, são recomendadas várias estratégias que envolvem educação, conscientização, políticas públicas e apoio comunitário. Implementar programas de educação sexual nas escolas, incluindo informações sobre prevenção, tratamento e convivência com o vírus HIV”, completa a doutora.
Além desses pontos essenciais, Marli Sasaki entende que a participação do governo é essencial nesse combate à desinformação acerca do tema. O incentivo ao teste regular de HIV como parte dos cuidados de saúde de rotina é citado pela especialista como uma das ações fundamentais para a eliminação do tabu sobre a temática.
Taxa de Mortalidade
Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a taxa de detecção de AIDS em 2013 foi de 21,8 casos por 100 mil habitantes e, no ano de 2020, de 14,4 casos por 100 mil habitantes, o menor valor observado desde a década de 90. A mesma tendência pode ser observada com a taxa de mortalidade entre os anos de 2013 a 2020. Conforme a infectologista, a queda no coeficiente de mortalidade por AIDS, na última década, pode ter sido influenciada por uma combinação de motivos, dentre eles o diagnóstico precoce.
“A melhora nos métodos de testagem e a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce permitem que as pessoas iniciem o tratamento mais cedo, antes que o HIV cause danos significativos ao sistema imunológico”, explica infectologista.
Entretanto, alguns estados do Brasil estão mais distantes que outros nas medidas de prevenção à infecção por HIV. Segundo dados do Boletim Epidemiológico, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, em 2022, foram observadas 12 estados que apresentaram taxas de detecção de gestantes com infecção pelo HIV superior à taxa nacional, com destaque para Rio Grande do Sul (7,9), Roraima (5,6), Santa Catarina (5,1), Rio de Janeiro (5,1) e Amazonas (4,3).

(Foto: Reprodução/Ministério da Saúde)
A infectologista Marli Sasaki explica que os números são elevados devido a fatores, como, por exemplo: comportamentos de risco, fatores socioeconômicos, migração, diferenças na implementação de políticas de saúde pública e mobilidade populacional.
“A prevalência de comportamentos de risco, como relações sexuais desprotegidas, múltiplos parceiros sexuais e uso de drogas injetáveis, pode ser maior em certas regiões. Fatores socioeconômicos, como pobreza, desigualdade e baixa escolaridade, também podem aumentar a vulnerabilidade das mulheres à infecção pelo HIV”, explica Sasaki.
Apesar de o índice de mortalidade por AIDS no Brasil ter apresentado uma queda, os números do Ministério da Saúde apontam que o Amazonas ainda possui uma taxa de mortalidade acima da média nacional. Para a doutora, isso se explica devido às inúmeras dificuldades de acesso à saúde enfrentadas por pessoas que vivem em municípios distantes da região metropolitana de Manaus.
“Os estados do Norte do Brasil têm num maior número de casos de Aids no país devido provavelmente: dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento de HIV (muitos pacientes moram a longas distâncias de barco dos centros de saúde); falta de acesso à educação sexual e informação sobre o HIV”, completa.
Como citado anteriormente, a razão por essa queda no índice de mortalidade por AIDS parte de uma combinação de motivos. A melhora no acesso aos serviços de saúde, apoio social e comunitário e as políticas de saúde pública são alguns dos fatores que tornaram esse indicador possível.
“A expansão dos serviços de saúde e o aumento do acesso a cuidados médicos de qualidade têm permitido que mais pessoas recebam o tratamento necessário. O apoio de organizações não governamentais, grupos comunitários e iniciativas governamentais tem ajudado a reduzir o estigma e a discriminação, encorajando mais pessoas a buscar tratamento e apoio. Políticas governamentais eficazes e programas de saúde pública voltados para o HIV/AIDS têm sido cruciais para coordenar esforços de prevenção, tratamento e apoio”, explica Sasaki.
Tratamento
Desde 1996, o Sistema Único de Saúde (SUS) distribui gratuitamente os medicamentos antirretrovirais (ARV) a todas as pessoas que vivem com HIV e necessitam de tratamento. Atualmente, existem 22 medicamentos, em 38 apresentações farmacêuticas. Confira a lista completa através do site do Ministério da Saúde.
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