MENU
Logo Amazonas Um

Copyright © Portal Amazonas1. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita.

‘Serei político até morrer’, diz Serafim Corrêa após rumores de aposentadoria

Serafim Corrêa falou ao AM1 sobre os planos do PSB para as eleições de 2022 e que aguarda posição da sigla sobre sua candidatura no pleito
Beatriz Araújo – Portal Amazonas1
• Publicado em 15 de agosto de 2021 – 15:00
Foto: Mario Silva

MANAUS (AM) – Cumprindo seu segundo mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), Serafim Corrêa é um dos poucos deputados da Casa Legislativa que ainda possui uma atuação independe de alianças. Natural de Manaus, Serafim é economista, advogado e técnico em contabilidade.

Além da extensa carreira profissional, Serafim também possui vasta experiência política e o interesse pela política começou em 1986, quando se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Exerceu o cargo de vereador em Manaus por duas vezes consecutivas, eleito nos pleitos de 1988 e 1992.

Leia mais: Ramos, Arthur e Serafim reprovam; Alberto Neto aplaude tanques nas ruas

Após quatro eleições frustradas, Serafim conseguiu se eleger prefeito de Manaus no ano de 2004, com 51,68% dos votos, e assumiu o governo da cidade em janeiro de 2005, superando, entre outros, o ex-prefeito e ex-governador Amazonino Mendes. Tentou a reeleição no pleito de outubro de 2008, mas foi derrotado por Mendes.

Após o desgaste político, Correa voltou a política partidária em 2015, quando assumiu seu primeiro mandato como deputado estadual, em 2018 foi reeleito para o cargo, que deve ocupar até dezembro de 2022.

Em entrevista exclusiva ao Portal Amazonas1, Serafim disse que não pretende abandonar a carreira política nos próximos anos e enquanto tiver seu mandato vigente atuará sempre a favor da igualdade na sociedade e do equilíbrio nos poderes.

Confira a entrevista completa:

AMAZONAS 1: O senhor coleciona diversos mandatos e uma trajetória política extensa, ano passado o senhor chegou a ser cogitado para as eleições municipais, mas disse que não estaria disposto a fazer uma campanha de rua, agora, nos bastidores, há uma possibilidade de o senhor encerrar a carreira. De fato, é um plano seu? O senhor pretende atuar na próxima legislatura ou irá encerrar os trabalhos?

SERAFIM CORRÊA: O homem é um animal político, sempre está fazendo política, até quando ele não é candidato, ele está fazendo política. Eu estou a 34 anos no mesmo partido e tenho uma visão da política de que você se filia no partido para seguir aquelas ideias, a proposta do PSB é lutar por uma sociedade mais justa e equilibrada. A sociedade amazonense ainda é muito injusta, uns têm muito e outros não possuem nem o mínimo para viver e eu luto por igualdade, por uma sociedade equilibrada. Ano que vem eu serei candidato a algum cargo, isso é uma decisão partidária, que só será tomado no ano que vem. Mas quero continuar minha carreira política, serei político até morrer.

AMAZONAS 1: Em algumas votações na Assembleia o parlamento tem votos favoráveis em massa em alguns temas polêmicos como; liberação de credito bilionário para o Governo do Estado, mas o senhor em muitos casos é único voto contrário? Qual os seus critérios na votação dos Projetos de Lei?

SERAFIM CORRÊA: Eu analiso o projeto, por exemplo, eu não consigo entender que exista uma lei complementar federal, 173/2021 que estabeleceu a impossibilidade de reajuste salarial a funcionários públicos. E o que ocorreu foi a apresentação de vários projetos propondo aumento para funcionários do Ministério Público, Tribunal de Contas e até mesmo a Assembleia. E eu voto contra sempre, porque eu credito que enquanto nós não podermos aumentar o salário dos professores e profissionais da saúde, por exemplo, não poderemos aumentar os salários dos burocratas. As vezes não sou compreendido, as vezes sou apupado, mas essa é a consequência de algumas escolhas que fazemos na vida. E a vida segue.

AMAZONAS 1: Em 2004, o senhor foi eleito Prefeito de Manaus, onde comandou a gestão municipal por quatro anos. Com sua experiência, como o senhor analisa a gestão do prefeito David Almeida, algo precisa mudar, o que precisa ser feito?

SERAFIM CORRÊA: O prefeito está nos primeiros sete meses de mandato. E eu sempre costumo dizer que, qualquer um que for prefeito de Manaus, vai ter o primeiro mandato como aprendizado. O primeiro ano é o ano de aprendizado, onde ele vai conhecer a máquina da prefeitura e essa máquina é muito grande, são 33 mil funcionários. Então de repente, você tem uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes, com problemas em todos os aspectos; infraestrutura, saúde, saneamento básico. Por isso, o prefeito, antes de anunciar propostas, ele precisa primeira analisar e ser ciente da situação da cidade. Na minha visão, o primeiro ano é de aprendizado, após o segundo ano é que as coisas poderão deslanchar, eu vivi isso e sei como é. Entendo que o prefeito Davi está suprindo as expectativas, tem enfrentado a pandemia com muita competência, creio que frente as limitações do município David está se saindo bem.

AMAZONAS 1: Na gestão pública amazonense existe uma prática de perpetuar empresas na prestação de serviços públicos. Uma empresa que passou por sua gestão e continua com contratos vigente até hoje é a Tumpex. Com base na sua experiência como prefeito, quais os critérios usados para renovar contratos com essas empresas?

SERAFIM CORRÊA: Quando cheguei na Prefeitura de Manaus, a Tumpex já estava lá. Ela é uma empresa especializada neste serviço. Manaus é uma cidade que possui poucas empresas especializadas em serviços de limpeza, eu diria que hoje a capital tem apenas duas empresas desse segmento, a Tumpex e a Marquise. Então, você não tem uma terceira empresa para concorrer no processo licitatório. E elas fazem um bom trabalho ao meu ver. Agora, falta muita coisa para a nossa limpeza pública ser ideal, todos os anos toneladas e toneladas de lixo são retiradas dos igarapés e quem joga lixo lá somos nós, a população, que não possui educação. E eu faço até justiça aqui, porque todos os prefeitos, todos nós tentamos conscientizar a população em relação a limpeza pública, mas há uma reação muito grande da poluição na cidade e isso aumenta o trabalho das empresas de lixo.

AMAZONAS 1: O senhor levanta discursos relacionados a ética e o fim do nepotismo, no entanto, quando estava como prefeito da cidade criou a Secretaria Municipal de Articulação e Políticas Públicas, onde nomeou seu filho Marcelo Serafim, o senhor se arrepende da nomeação, uma vez que pode ser considerado como privilégios familiares?

SERAFIM CORRÊA: Vamos contextualizar. Ele foi nomeado para uma secretaria extraordinária que não tinha sequer orçamento, portanto em uma atividade essencialmente política. O Marcelo é político desde que nasceu, ele aos 17 anos se filiou ao PSB e permanece até hoje. Ele foi candidato, era o primeiro suplente e eu precisava de alguém que fizesse a interface com a Câmara Municipal de Manaus (CMM), ele ficou 15 meses nessa função, portanto, não há nenhum ato que desabone a conduta do Marcelo. O Supremo decidiu que é possível nomear o filho, a esposa, irmãos para cargos de secretário. Mas, o que eu acho interessante é que em relação a mim fazem uma confusão por conta do Marcelo, na época sete programas de televisão batiam em mim todos os dias por esse mesmo assunto. Se olharmos a história, vários governadores, prefeitos nomearam vários parentes e ninguém foi tão atacado como eu, na verdade ninguém foi atacado. Mas quando foi o Serafim, a pancadaria veio muito forte. Coisas da política, mas a vida seguiu normalmente.

AMAZONAS 1: Em muitos momentos de seu mandato o senhor criticou algumas propostas relacionadas ao Governo, como os recursos do Fundeb em caixa, o empréstimo do Banco do Brasil e até mesmo problemas com infraestrutura. Como o senhor analisa a atual gestão do Amazonas?

SERAFIM CORRÊA: Eu entendo que por ser marinheiro de primeira viagem, o governador Wilson Lima teve percalços, chamou uma equipe nova, uma equipe que se desencontrou e uma briga explicita com o vice, o que atrapalhou e muito a gestão do governador. As posições que eu adotei são posições de alguém que deseja o melhor para o estado, não creio que seja o melhor para o Amazonas fazer um empréstimo de R$ 1, 5 bilhões, no momento em que o governo tem problemas de arrecadação e isso compromete o futuro do estado como um todo. Em relação ao Fundeb, é um programa para garantir uma remuneração melhor aos servidores. E eu entendo que não vamos melhorar a qualidade do ensino se não qualificarmos e capacitarmos os professores.  

AMAZONAS 1: Nessa semana, Brasília protagonizou uma cerimônia militar, onde o presidente Bolsonaro colocou tanques e blindados nas ruas. O senhor chegou a analisar e fazer referência a época da ditadura. Como o senhor relaciona os ataques do atual Governo Federal ao Congresso, a época da censura política?

SERAFIM CORRÊA: Há uma tentativa do governo federal de usar os mesmos métodos que foram usados na Ditatura Militar. Em 1984, o presidente João Figueiredo e o comandante militar do Planalto Nilton Cruz, decretaram medidas de emergência. Tanques vieram para as ruas, em Brasília, e o general Cruz, montado em um cavalo branco, fez espetáculo de exibicionismo para constranger o Congresso. O Congresso se ajoelhou e não aprovou as Diretas Já, mas abriu caminho para eleição indireta com Tancredo Neves e José Sarney e o Brasil vive uma democracia por 33 anos, uma democracia que custou muitas vidas. Agora, nós temos um mal militar que tenta retomar o período da ditadura. Com a rejeição do voto impresso, continuaremos tendo eleições limpas e transparentes, sem nenhum indício de fraude.

AMAZONAS 1: O cenário político começa a se aquecer para as eleições gerais do ano que vem. Com isso, alguns nomes como Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Wilson Lima já aparecem como possíveis candidatos para governo do Amazonas. O senhor acredita que o estado precisa de uma renovação política ao invés de apostar em nomes antigos que já estiveram no poder?

SERAFIM CORRÊA: Nós vivemos a renovação política em 2018 e o que vai acontecer em 2022 eu não sei. Eu entendo que as eleições estarão ligadas mais do nunca nas eleições nacionais. A população só faz o certo, nós políticos temos que vê porque qual motivo ela escolheu isso ou aquilo. Em 2022, vamos viver uma eleição com o caminho para a democracia ou o caminho para o golpe, Bolsonaro vai representar o caminho do golpe, vai ter o candidato da democracia, alguns partidos estudam uma terceira via, se ela vai emplacar eu não sei. Hoje temos uma bipolaridade, Bolsonaro e Lula, pode surgir um terceiro candidato. Vamos dar tempo ao tempo, esperar para ver qual cenário irá se formar.  

AMAZONAS 1: Nesta semana Câmara dos Deputados aprovou o retorno das coligações para as eleições proporcionais. Como o senhor analisa esse retorno? E como as coligações podem colaborar com a reforma do PSB que o senhor mencionou em 2019? Em que pé está a reforma da sigla?

SERAFIM CORRÊA: O PSB vai discutir o que vai fazer no ano que vem, somente no ano que vem. Eu gostaria que não tivesse coligação, mas na votação da Câmara nós estávamos entre o distritão e as coligações. As coligações é um mal menor, ela não é boa e permite um leque amplo de partido, que dificulta a governabilidade. Já a auto reforma que tem sido debatida desde 2019, será oficializada em abril de 2022, vamos atualizar o manifesto, trazê-lo para contemporaneidade.

AMAZONAS 1: A Assembleia Legislativa caminha para seu último ano de legislatura antes da eleição de 2022. Em quatro anos de trabalho, como a maior parte dos deputados estaduais ligados a base de aliados do Governo, como o senhor analisa a atual legislatura da Casa?

SERAFIM CORRÊA: Teves momentos de pró atividade, recuo, confronto e entendimento. Eu sou a favor sempre do entendimento, paz e amor, acredito que cada um deve respeitar o seu quadrado, mas em alguns momentos o Governo do Estado quis avançar no quadrado da Assembleia. A Casa Legislativa soube se unir para que isso não acontecesse. Vamos ver como tudo se comporta daqui para frente, hoje vivemos um momento de calmaria e respeito entre os poderes.

Acompanhe em tempo real por meio das nossas redes sociais: facebook, instagram e twitter.

Publicidade

Publicidade

MATÉRIAS RELACIONADAS

Copy link
Powered by Social Snap