Geógrafo diz que orla de Parintins tem buracos com 98m de profundidade

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2 de julho de 2020
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Geógrafo diz que orla de Parintins tem buracos de até 98m de profundidade

A pesquisa é resultado de uma tese de mestrado de 2017 para a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), feita pelo geógrafo amazonense Rildo Oliveira Marques

Geógrafo diz que orla de Parintins tem buracos de até 98m de profundidade

O geógrafo amazonense Rildo Oliveira Marques descobriu a existência de enormes buracos em frente a orla da cidade de Parintins (distante 325 quilômetros de Manaus), que mediria em sua densidade entre 85m a 98 metros de profundidade.

Esses buracos estariam situados, aproximadamente, entre a região côncava do bar buteco do Verçosa, localizado na praça do Comunas, até a orla do bairro de Santa Clara.

Leia mais em: Parintins decreta ‘situação de emergência’ por conta da erosão na orla

A pesquisa é resultado de uma tese de mestrado, do ano de 2017, que recebeu o título ‘Erosão nas margens do Rio Amazonas: o fenômeno das terras caídas e as implicações para a cidade de Parintins’. Rildo Marques é professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“A seção transversal indica, portanto, que a área do Comunas está seriamente ameaçada pelos ajustes do canal, pois a relação entre forma, direção do fluxo e posição do talvegue, que chega a atingir 85,8m a uma distância de 328,1m da margem, promovem condições para a ocorrência de erosão lateral e vertical acelerada nas proximidades dessa área”, diz um trecho da tese do geógrafo.

Leito do Rio

A área dos bares Comunas e Verçosa é bastante frequentada na orla por turistas durante o Festival Folclórico de Parintins, realizado na última semana do mês de junho. 

De acordo com Marques, o leito do Rio Amazonas serve de região de transportes de sedimentos, e a partir da inclinação das vertentes dos cursos do rio, são depositados em direção ao fundo de um vale, chamado tecnicamente de talvegue (formação de um buraco), que provoca o assoreamento e a erosão fluvial.

Na pesquisa, o geógrafo aponta que na área localizada entre o Buteco do Verçosa, na praça do Comunas e o restaurante Coroas, formou-se uma região côncava, área que recebe o maior impacto da velocidade da corrente do Rio Amazonas, provocando o que ele chama de uma ‘macroturbulência’, que resulta nas erosões.

A partir da velocidade da corrente hidrográfica, onde o talvegue (buraco) está encaixado, forma-se nesta área côncava um rebojo no rio que contribui para o fenômeno das ‘terras caídas’.

“Outro fator hidrodinâmico atuante no rio Amazonas são os constantes movimentos ascendentes em forma lisa e semicircular (o rebojo) que se propagam, principalmente, no limite jusante da cidade. A aceleração radial do fluxo dá origem ao excesso de pressão sobre o banco côncavo, onde se processa a erosão”, descreve o geógrafo na sua tese.

‘Degradação do solo’

A situação, nesta área côncava da orla, registrada pelo professor, se agrava ainda mais porque a estrutura de contenção recebe o despejo de um esgoto no início da rua Senador Álvaro Maia, que contribui para a formação da degradação do solo. A escadaria, por exemplo, também localizada neste trecho não possui base de sustentação.

 A partir da formação do rebojo e do aumento da macroturbulência da corrente do rio, Rildo Marques chegou a conclusão que a talvegue se alastra numa série a ameaça a região da praça do Comunas, cujo buraco chega a atingir, neste eixo côncavo que recebe mais pancada do rio, 85,8m de profundidade, passando depois para 88m  – numa região próximo ao porto – e depois a pressão hidráulica aumenta e o canal atinge a uma profundidade de 98m, entre a escadaria da Caçapava até na área do bairro Santa Clara.

“Para se compreender a relação entre geometria do canal e erosão lateral, foram realizados quatro perfis batimétricos transversais do Rio Amazonas em frente à cidade de Parintins. Os perfis foram elaborados a partir de medições batimétricas de diferentes trechos de frente da orla da cidade para a margem oposta ( Ilha do Espirito Santo). As expedições de campo ocorreram no período da vazante dos anos de 2014, 2015 e 2016”, cita o professor da Ufam.  

Medições

As medições hidrológicas foram realizadas pelo programa HiBAM (Hidrologia e Geoquímica da Bacia Amazônica), a partir do ano de 2005, e a análise granulométrica foi feita no Laboratório de Geografia Física da Ufam, em Manaus.

Sobre a o assoreamento, o professor da Ufam conclui que a praia do meio, que na década de 80, nascia em frente a cidade de Parintins (nascia no meio do Rio Amazonas), surgia devido a formação de um depósito de sedimentos das erosões levados pela corrente do rio. A praia do meio do rio tinha uma extensão de 7 km.

‘Decreto de Emergência’

No dia 14 de janeiro, deste ano, o prefeito de Parintins, Frank Bi Garcia (PSDB), decretou Situação de Emergência nas áreas da orla afetadas pelas erosões. Por causa de novos riscos de desabamento a Prefeitura, com recursos municipais, iniciou uma obra emergencial do muro de arrimo, num outro extremo da praça do Comunas. Há 12 anos o muro de contenção não recebia manutenção. 

Mas, apesar de todo o perigo de deslizamentos de terra, nem a Defesa Civil do Estado ou Municipal instalaram, nos últimos dois anos, placas de alertas informando dos riscos a donos de embarcações (que ancoram no muro de arrimo) e nem aos frequentadores dos estabelecimentos comerciais da orla.

Apesar de a Prefeitura interditar trechos da orla e reconhecer o perigo que esses locais representam para a vida dos moradores e turistas, as áreas fechadas continuam funcionando, normalmente, para fins de atividade comercial, numa grave ameaça a segurança das pessoas.

Muro de Contenção

O geógrafo Rildo Marques destaca ainda o erro de engenharia civil na construção do muro de contenção da orla de Parintins, a base de blocos de concretos, que se romperam, deixando a estrutura comprometida.

“O muro de arrimo foi construído com fundações superficiais o que favorece o solapamento na base,  assim, a pressão da água por meio da corrosão atua sobre o pacote sedimentar abaixo da superfície até descalçá-lo e a parte submersa passa a sofrer um contínuo desgaste, favorecendo um abalo por conta do peso excessivo”, assinala.  

O professor fez observações também sobre o fato de que, em 2015, quando governo e prefeitura de Parintins tentaram iniciar a obra do muro de arrimo, no bairro de Santa Clara, houve um novo erro de engenharia fazendo com que o município perdesse mais de R$ 8 milhões, que seriam aplicados na construção, desta nova etapa.

Rildo Marques pontuou que o muro de arrimo foi construído entre 1990 a 2000, sendo ampliado de forma fragmentada, e a pressão do rio Amazonas, associada a outros fatores como fortes chuvas e infiltrações das aguas pluviais da estrutura, fizeram com que a construção, além de comprometida, sofresse constantes desabamentos.

Leia a tese com a pesquisa completa do professor Rildo Oliveira Marques

Amazonas1 TV

Publicado por Amazonas1

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