No AM, estudantes viajam cinco horas de barco para fazer Enem

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12 de julho de 2020
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No AM, estudantes viajam cinco horas de barco para fazer Enem

Jovens estudantes de comunidades do interior relatam sonhos e expectativas com a prova do Enem e a chance de cursarem o ensino superior

No AM, estudantes viajam cinco horas de barco para fazer Enem
Railton do Nascimento de Amorim, 17 anos, saiu de casa, no Lago do Mundurucus, por volta das 4h da manhã deste domingo, 10, pegou um barco e viajou por 60 quilômetros até a zona urbana de Manacapuru para a prova do Enem. (Márcio Silva / Agência AM1)

Com uma renda familiar de um salário mínimo (R$ 998), o estudante Railton do Nascimento de Amorim, 17 anos, disse que vê nos estudos a oportunidade de mudar a realidade dele e dos outros sete irmãos, que são filhos de agricultores e moram, juntos, em uma comunidade no meio da floresta amazônica, o Lago do Mundurucus, no município de Manacapuru (a 103 quilômetros de Manaus).

Candidato a uma vaga de Pedagogia no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, Railton saiu de casa por volta das 4h da manhã deste domingo, 10, pegou um barco e viajou por 60 quilômetros até a zona urbana de Manacapuru, onde ocorre a prova na Escola Estadual André Vidal de Araújo. Assim como ele, cerca de 100 estudantes da mesma comunidade e de vilarejos adjacentes fizeram o trajeto neste final de semana.

“Para quem sonha com mudança de vida, nenhum lugar é tão longe. É a primeira vez que faço o Enem e acredito que posso ser aprovado. Meu sonho é melhorar a vida dos meus pais que sofrem todos os dias no Sol e na chuva para sustentar a nossa família”, afirmou o estudante, que disse ser normal a rotina de acordar muito cedo para ir à escola.

Como chegou por volta das 9h, no local da prova do Enem, Railton – que cursa o 3º. ano do ensino Médio – aproveitou o período de quase duas horas para rever o conteúdo das provas do Enem e reler suas respostas do exame feito no domingo passado, 3. No Amazonas, as provas do Enem ocorreram às 12h, por conta do fuso horário de Brasília.

“Estou relembrando a estrutura e a lógica das perguntas que são mantidas, independentemente, das disciplinas. Mas também estou revisando o conteúdo de Matemática, que sempre foi um desafio desde o ensino Fundamental”, afirmou.

Trabalho com computadores

Colega de viagem de Railton, a estudante Raiany Santos da Silva, 17 anos, um pouco mais tímida, afirmou que o sonho dela é trabalhar com os computadores e por isso busca uma vaga no curso de Ciências da Computação no Enem deste ano.

Moradora de uma comunidade vizinha a de Railton, a São Francisco, a estudante também acordou de madrugada e viajou mais de 50 quilômetros até Manacapuru, onde ocorre a prova do Enem.

Raiany Santos da Silva, 17 anos, também enfrentou uma viagem de quilômetros para realizar a prova do Enem. (Márcio Silva / Agência AM1)

“No percurso até o local da prova do Enem, eu, o Raiton e outros colegas falávamos das dificuldades dos nossos pais em não nos colocar no trabalho diário das plantações para termos tempo de nos dedicarmos aos estudos. Não podemos decepcioná-los”, afirmou a jovem.

Assim como outros colegas de viagem, ela também é filha de agricultores, e sua família vive com uma renda de um salário mínimo. Raiany tem três irmãos, e disse que a falta do dinheiro não é o grande problema das famílias que vivem nas comunidades da região amazônica.

“Como a gente troca muita coisa com os vizinhos e temos as nossas plantações, não temos problemas em passar fome. O nosso problema é a falta perspectiva de vida para os jovens que sonham em tirar seus pais das comunidades para conhecer o mundo”, disse a estudante.

Amazonas1 TV

Publicado por Amazonas1

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