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Professores do Amazonas recebem apoio nacional para greve

A demonstração de solidariedade é em decorrência a tentativa de suspensão do protesto da categoria realizado na segunda-feira, 15, na Praça da Polícia

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) enviou nesta terça-feira, 16, uma nota demonstrando solidariedade ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam). Assinada pela presidente do sindicato de São Paulo, professora Maria Izabel Azevedo, a nota é em apoio aos protestos dos professores no Estado reivindicando o reajuste salarial em 15%.

A demonstração de solidariedade dos professores de São Paulo aos docentes do Amazonas é em decorrência a tentativa de suspensão do protesto da categoria realizado na última segunda-feira, 15, na Praça da Polícia, no centro de Manaus.

No dia anterior ao da greve(14), o desembargador Elci Simões de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), acatou o pedido do governo e determinou que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) suspendesse o indicativo de greve.

Segundo a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues, greve foi estabelecida com a justificativa de que o sindicato não havia recebido notificação oficial até aquele momento.

“Em defesa da democracia e da educação pública, nos solidarizamos com as companheiras e os companheiros amazonenses e exigimos que o governador sente a mesa e negocie com o sindicato, legítimo representantes das professoras e dos professores do Amazonas. Que prevaleça o bom senso” disse em nota a presidente do sindicato dos professores de São Paulo, Maria Izabel Azevedo.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, também declarou apoio à greve dos professores do Amazonas. Através de vídeo, Heleno relatou que é necessário que haja uma negociação direta.

“O governo deve estar para resolver os problemas e conflitos existentes no estado e não para acirrar e aumentar os conflitos. Por isso declaramos nosso apoio à greve iniciada no dia de ontem” disse.

O movimento também recebeu apoio da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA). Por meio de nota, a associação destacou as reivindicações da categoria e criticou o Governo pela falta de interesse em negociar com os professores. Veja na íntegra:

A educação pública no Brasil tem estado sob intenso ataque: redução de recursos públicos, desmonte do sistema previdenciário, sucateamento das instalações escolares, baixos salários e intensificação da jornada de trabalho e precarização da mão de obra docente. Estas condições estão na base da greve deflagrada pelo movimento de professores e professoras do Estado do Amazonas.

Na campanha salarial de 2019, os/as docentes da rede estadual de ensino do Amazonas reivindicam a valorização da categoria, melhoria das condições de trabalho e reajuste de 15% enquanto o governo do Estado acena com apenas 3,93%. Escudado numa contabilidade criativa, o governo tem argumentado que os ganhos efetivos nos cem primeiros dias de 2019 chegaram até 15,31%; além disso, se escora na Lei de Responsabilidade Fiscal para argumentar que o limite de gastos públicos do Estado já estaria comprometido. A partir destes fundamentos, não foram criados canais efetivos de negociação com a categoria.

Deflagrada a greve, o governo optou pela judicialização do movimento, via recorrente do cálculo gerencial neoliberal para barrar a legítima luta dos trabalhadores e trabalhadoras. No despacho do Judiciário que determinou a suspensão da greve a pedido do governo do Estado, um dos argumentos apresentados afirma que os professores e as professoras não teriam direito de greve, numa clara distorção da Lei 7.783/89 que trata deste direito. Os poderes Executivo e Judiciário do Amazonas ao mesmo tempo precarizam o trabalho da categoria docente com uma política de arrocho salarial e usurpam o direito à manifestação criminalizando a greve.

Diante do exposto, a diretoria da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA-SSind.), seção sindical do ANDES-SN, declara seu apoio à categoria da rede estadual de ensino público.

Manifestação na Aleam

A categoria reuniu-se novamente na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira, 16, para discutir as principais demandas. Na ocasião, o governador Wilson Lima (PSC) reforçou o policiamento militar durante a manifestação para tentar ‘intimidar’ os educadores.

Mais de cinco viaturas da Polícia Militar (PM), além de batedores em motos, faziam a ‘segurança’ na Assembleia Legislativa no lado externo. Os jornalistas que chegavam para acompanhar a manifestação dos professores eram obrigados a descer na Avenida Mário Ypiranga, mesmo com o intenso tráfego de veículos.

Greve

Mesmo com o forte temporal na segunda-feira (15), os professores foram à luta pelas suas reivindicações e realizaram uma passeata no Centro de Manaus. A estimativa, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas(Sinteam), é que pelo menos mil servidores da educação tenham participado do protesto.

Os servidores estão reivindicando 15% do reajuste salarial, auxílio localidade que está congelado há 30 anos, entre outras pautas. O governo ofereceu apenas 3,93% a categoria.

 

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