(Foto: Jader Souza/AL Roraima)
Brasília (DF) – Amazônia foi o bioma mais atingido pelas queimadas entre janeiro e setembro de 2024. Dados do MapBiomas mostram que mais de 11 milhões de hectares foram impactados.
A seca severa, comum neste período do ano, tem ampliado ainda mais a crise de incêndios no bioma. No mês de setembro, a região registrou o maior número de queimadas. Para a coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, a alteração é um reflexo das mudanças climáticas.
“A mudança acaba tendo papel crucial para a propagação de incêndios. Isso se reflete nos números de setembro, onde metade da área queimada na região foi em formações florestais”, destacou.

Dados MapBiomas Queimadas – Foto: (Reprodução/ MapBiomas)
Segundo a CEO da BMV Global, Maria Tereza Umbelino, além da biodiversidade local, as queimadas podem influenciar no ciclo das chuvas e na agricultura a longo prazo.
“Pode ocorrer a diminuição da emissão dos vapores orgânicos das árvores que influenciam a condensação e a formação de chuvas. Estima-se que também entre 30% a 40% da água da chuva retornam à atmosfera que circula para outras regiões”, pontuou.
A especialista ainda afirmou ao Portal AM1 que os fenômenos como El Niño e La Niña no Oceano Pacífico também afetam os padrões de precipitação na região.
“Quando acompanhamos a estatística publicada pelo MapBiomas, verificamos que 62,3% dos focos de incêndio no ano de 2024, até o mês de agosto, foram de origem natural e não antrópica. (…) Com a alteração do regime de chuva, naturalmente, os custos de produção na região serão afetados.”
Questionada sobre como pode ser feita a recuperação do solo em comunidades que dependem diretamente das florestas para subsistência, a especialista sugeriu a criação de um financiamento para as regiões poderem se reerguer.
“É preciso criar as condições para as comunidades superarem estes desafios e um dos caminhos é a remuneração por conservação da terra natural.”
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