Trecho sem asfalto da BR-319, entre Humaitá e Realidade (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real/Fotos Públicas.com)
Manaus (AM) – A BR-319 completa 50 anos neste dia 27 de março e a data será usada como marco simbólico por apoiadores da rodovia para recolocar o tema no centro do debate público no Amazonas. A rodovia inaugurada em 1976 durante o governo militar foi projetada para conectar Manaus (AM) a Porto Velho (RO) ao longo de seus 885 km, com o objetivo de integrar a Amazônia Ocidental ao restante do país.
Ao Programa AM1 Entrevista, o presidente da Associação Amigos e Defensores da BR-319, André Marsílio, afirmou que o grupo prepara uma série de ações comemorativas ao longo deste ano para destacar a importância histórica, logística e social da estrada.
Entre as atividades previstas estão entrevistas com personagens ligados à história da BR-319, uma exposição sobre a trajetória da rodovia e uma corrida comemorativa em Manaus.
Eventos em preparação
Segundo Marsílio, a associação trabalha para viabilizar uma exposição em um shopping de grande circulação da capital amazonense. A proposta é apresentar ao público registros históricos, marcos da rodovia e a evolução da BR-319 ao longo das últimas décadas.
O projeto, no entanto, ainda depende da captação de apoio e patrocínio.
“O projeto já está escrito e a gente está buscando esse patrocínio”, afirmou.
Além da mostra, também está prevista a realização de uma corrida alusiva aos 50 anos da BR-319, com trajeto projetado entre a região da Bola da Suframa e as proximidades da Ceasa, em Manaus.
Mudança de realidade
Na avaliação de André, a BR-319 vive hoje uma realidade muito diferente daquela de uma década atrás, quando a estrada era vista como praticamente intransitável durante boa parte do ano.
Ele afirma que, nos últimos 10 anos, a rodovia passou a ter papel cada vez mais evidente para o abastecimento do Amazonas e para a mobilidade regional.
“A BR-319 antigamente não passava nenhum tipo de carro. Hoje, qualquer tipo de carro passa”, declarou.
Papel estratégico em crises
Ao defender a importância da estrada, Marsílio citou episódios recentes em que a BR-319 se tornou estratégica para o Amazonas.
Segundo ele, foi pela rodovia que chegaram as carretas de oxigênio durante a crise da Covid-19, além de cargas essenciais em períodos de seca severa, quando a navegação enfrentou dificuldades em trechos críticos da região.
De acordo com o presidente da associação, a estrada também tem servido como eixo para o transporte de alimentos, produtos perecíveis e outras mercadorias fundamentais ao abastecimento de Manaus e de cidades vizinhas.
Ao completar meio século de existência, a BR-319 volta a ser tratada não apenas como uma estrada, mas como um símbolo das disputas entre infraestrutura, desenvolvimento, meio ambiente e integração regional no Norte do país.
Assista à entrevista:
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