Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Após cem dias no cargo, Amazonino deve muitas explicações à população

Amazonino foi empossado no dia 4 de outubro (Foto: Herick Pereira/TJAM/Flickr)

Passados os primeiros cem dias do quarto mandato, o governador Amazonino Mendes (PDT) terá que fazer um esforço grande para explicar os resultados nas áreas que ele considerou prioritárias. Saúde, educação e segurança, todas estão com sérios problemas e são alvos de reclamações da população.

Amazonino foi empossado no dia 4 de outubro (Foto: Herick Pereira/TJAM/Flickr)

No plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amazonino afirmou que o governo tinha como foco “apenas dois itens fundamentais: arrumar a casa e planejar uma saída para o futuro”. O primeiro virou alvo de piadas na internet, de tão utilizado que foi nas eleições suplementares.

Amazonino prometeu “atos revolucionários” na área da saúde durante seu primeiro pronunciamento como governador no dia 4 de outubro de 2017, ao tomar posse na sede do Governo. De lá pra cá, pouco foi feito em relação às promessas documentadas junto à Justiça Eleitoral.

Ontem (10), o Amazonas 1 noticiou o desespero de pais de crianças diabéticas que estão sem receber medicamentos da Central de Medicamentos desde novembro.

Também foi em novembro que ocorreram paralisações de alguns serviços médicos no Estado. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) teve que fazer acordo com 17 cooperativas que ameaçaram parar os serviços prestados em sua totalidade.

O motivo era o não pagamento de mais de R$ 300 mil por parte do governo. Os profissionais da saúde aceitaram o acordo, com pagamentos em parcelas, até outubro, das dívidas da atual gestão e das gestões anteriores.

População vive com medo

Na área segurança, Amazonino nomeou Bosco Saraiva (SD), seu vice, para assumir a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e chegou a anunciar concurso para 1,7 mil agentes penitenciários, mas sem data definida para a realização do certame.

Além da sensação crescente de segurança nas ruas de Manaus, a saída de diretores da SSP nesta semana revelou que há uma insatisfação crescente dentro da pasta. O ex-diretor de Polícia Técnico-Científica (DPTC), Jefferson Mendes, disse ontem que o Estado não tem equipamento para identificação de drogas sintéticas.

“Hoje, no Estado do Amazonas, não se consegue fazer perícia em drogas sintéticas, como Ecstasy e LSD. O Estado não consegue manter um traficante de drogas sintéticas preso porque a gente não consegue materializar aquela prova. A gente não consegue afirmar, em cima da ciência e da técnica, que aquele material apreendido se trata de entorpecente”, afirmou.

Na educação, empresa é contratada por R$ 1 milhão para fornecer gibis

Na educação, Amazonino não demorou para mudar o comando, mesmo considerando que foi eleito para um governo tampão e com pouco tempo para “arrumar a casa”, nas suas palavras. O governador trouxe novamente para o governo Lourenço Braga, irmão do ex-secretário de Cultura, Robério Braga e ex-reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Sem licitação e com apenas nove dias no cargo, Lourenço autorizou a compra de livros paradidáticos em quadrinhos, no valor de R$ 1,2 milhão, da empresa E. N. Editora Garcia – ME, da historiadora Etelvina Garcia.

Dança das cadeiras em um governo curto

Além da troca na Seduc, Amazonino também mudou o comando de outras quatros secretarias. Sidney Leite deixou a Casa Civil para José Alves Pacífico. No Idam, João Medeiros Campelo foi exonerado e, no seu lugar, assumiu o técnico Luiz Herval Filho.

Amazonino também exonerou o secretário estadual de Trabalho, Dallas Fillho (MDB) – o novo responsável pela pasta, Manoel Oliveira, foi empossado nesta quinta; e, na Sejusc, Arthur César Zahlut Lins foi colocado no lugar de Clisares Soares.

A reportagem do Amazonas1 entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) para saber quais foram as principais ações realizadas pelo governo de Amazonino Mendes nos 100 primeiros de seu mandato e o porquê de não divulgarem o balanço do referido período, mas ninguém respondeu às perguntas até a edição desta reportagem.