(Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Brasília (DF) – O aumento da fumaça em vários estados brasileiros acende um alerta para os casos de doenças respiratórias e cardiovasculares pela inalação constante do ar contaminado.
O pneumologista Rodolfo Bacelar adverte que o contato com a fumaça pode causar irritação nas vias aéreas, causando tosse, falta de ar e irritação nos olhos e garganta.
“A inalação de grandes quantidades pode levar à inflamação das vias aéreas inferiores e pulmões, com crises de broncoespasmos e necessidade de procura dos serviços de urgência. Pacientes com doenças respiratórias crônicas como a asma, por exemplo, podem ter exacerbações de suas doenças. Além disso, há uma redução da capacidade de defesa pulmonar, o que pode favorecer infecções,” afirmou Bacelar.
Segundo o médico, a inalação de ar poluído por metais pesados como mercúrio, chumbo, arsênio, cádmio e níquel pode afetar não apenas os pulmões, mas também causar danos a outras áreas do corpo, incluindo o sistema nervoso, rins e fígado.
“Pode haver desenvolvimento de doenças cardiovasculares e até mesmo câncer, já que existem particulados na fumaça com potencial oncogênico,” disse.
Veja quais são as medidas indicadas pelo pneumologista para minimizar os impactos da fumaça:
- Evitar atividades físicas ao ar livre durante picos de poluição;
- Utilizar máscaras filtrantes N95 ou PFF2, que bloqueiam partículas finas;
- Manter portas e janelas fechadas para evitar a entrada de fumaça em ambientes internos. Cobrir frestas com panos úmidos pode ajudar.
- Utilizar purificadores de ar em casa;
- Aumentar a ingestão de água para manter as vias respiratórias hidratadas;
- Evitar fontes de poluição adicionais em casa, como cigarro.
- Caso tenha alguma doença crônica, mantê-la sob tratamento e estabelecer junto ao médico que acompanha um plano de ação em caso de piora do quadro.
No caso das crianças, o médico indica que os responsáveis garantam que a escola siga as orientações de suspender atividades ao ar livre em dias com altos níveis de poluição ou baixa qualidade do ar.
Além disso, é importante manter a criança afastada de áreas afetadas pela fumaça e, se houver sintomas como tosse persistente, dificuldade para respirar, náuseas, vômitos ou sonolência, é essencial buscar atendimento médico.
Movimentação do governo federal
Na última terça-feira (17), o governo federal destinou mais de R$ 514 milhões para o combate a incêndios e a seca na Amazônia. O montante será enviado ao Ministério do Meio Ambiente.
“Com recursos do Orçamento Geral da União e do Fundo Amazônia, serão adquiridas novas aeronaves e diversos kits de combate aos incêndios florestais, bem como serão fortalecidos os projetos de equipagem dos Corpos de Bombeiros estaduais.”
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgados durante a reunião com ministros do governo, este é o pior período de estiagem em 75 anos.
Nesta quinta-feira (19), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve se reunir com governadores e representantes dos estados para discutir as ações de combate e prevenção nas regiões mais atingidas pelas queimadas.
Dez estados e o Distrito Federal confirmaram presença no encontro que acontecerá às 15h no Palácio do Planalto, em Brasília.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve participar da reunião, por estar em evento de assinatura do Termo de Acordo em Alcântara, no Maranhão.
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