(Foto: Kayo Magalhães & Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O pré-candidato ao Senado Marcelo Ramos (PT) criticou nesta sexta-feira (14) a declaração do deputado Capitão Alberto Neto (PL) ao justificar seu voto favorável à PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara e encaminhada ao Senado.
Segundo Ramos, o parlamentar do PL admitiu ter participado de articulações internas que, na visão do petista, configurariam conchavos para proteger interesses específicos dentro do Congresso.
Ramos afirmou que a fala do deputado expõe a existência de negociações que envolveriam a defesa de parlamentares acusados de crimes. Ele destacou que Alberto Neto teria condicionado seu apoio à proposta à promessa de votos favoráveis à anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o pré-candidato, a justificativa do adversário revela um problema institucional.
“O que o deputado Alberto Neto acabou de falar é algo muito grave. Ele acabou de dizer que existem conchavos dentro do parlamento brasileiro para proteger criminosos e que ele participou de um desses conchavos, que ele votou a favor da PEC da Blindagem porque prometeram para ele votar a favor da anistia do ex-presidente Bolsonaro”, declarou.
Ramos também citou possíveis consequências da PEC. Ele afirmou que o apoio de Alberto Neto abriria espaço para impedir punições a parlamentares envolvidos em crimes graves.
Marcelo Ramos classificou a manifestação de Alberto Neto como um gesto que expõe demais os bastidores da articulação legislativa. Ele resumiu a declaração do adversário com a expressão “É um sincericídio”, reforçando o tom crítico de sua avaliação.
A fala de Alberto Neto foi retirada de uma entrevista ao Radar Amazônico, onde o também pré-candidato ao Senado para as eleições gerais de 2026 falou sobre as negociações dentro da Câmara dos Deputados que antecederam à PEC da Blindagem e sobre a prerrogativa de que, segundo ele, caso a PEC da Blindagem fosse aprovada, o PL da Anistia poderia ser votado em plenário também.
A PEC causou um grande incômodo político no país e provocou diversas manifestações nos estados do Brasil. O texto visava dificultar a abertura de processos criminais contra deputados federais e senadores, e se estendia também aos parlamentares estaduais e distritais, isso porque, conforme a proposta, a Justiça só poderia processar penalmente os parlamentares com prévia autorização da Casa legislativa.
Capitão Alberto Neto, assim como outros parlamentares do Amazonas, também foi a favor do texto, que passou na Câmara dos Deputados, mas foi barrado no Senado.
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