Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(Brasil) – A cientista política Ana Junqueira, que há 14 anos atua com relações governamentais, Congresso e políticas públicas, analisou os movimentos do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e concluiu que ao longo de seu mandato sua agenda foi seletiva, priorizando o relacionamento com políticos do espectro de direita. Para se ter uma ideia, segundo a análise, ele se encontrou 52 vezes com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao longo de 48 meses. Com o presidente Lula, em 19 meses, só se encontrou uma vez.
Em sua coluna “Cartografia do Poder”, na Revista Carta Capital, Ana Junqueira afirma que a agenda de Campos Neto em 2024 mostra reuniões registradas com apenas cinco senadores, todos com poder de influência sobre a PEC 65: Rodrigo Pacheco, presidente do Senado; Ciro Nogueira (PP/PI), crítico ferrenho do governo Lula; Carlos Portinho (PL/RJ), líder do PL no Senado; e Davi Alcolumbre (UNIÃO/AP), duas vezes, signatário da PEC e presidente da CCJ.
A cinco meses para o fim de seu mandato à frente do Banco Central, Roberto Campos Neto mantém a agenda típica de alguém em transição de carreira. Em meio aos debates sobre uma proposta de mudança constitucional que altera a estrutura do BC e a debates acalorados sobre política monetária e inflação, ele tira férias, vai a eventos, participa de palestras, concede entrevistas e se reúne com opositores do governo.
“Com uma agenda que faria inveja ao mais aguerrido usuário do LinkedIn, ele é presença constante em fóruns globais e compromissos internacionais. De acordo com a agenda de autoridades, neste ano ele trabalhou em gabinete apenas 113 dias, participando de 35 eventos, concedendo sete entrevistas e realizando nove viagens internacionais. Para dançar o jogo na política, é preciso escolher um parceiro de pista, e isso, Campos Neto, aparentemente, já fez.”, escreveu a cientista política.
Link para a coluna.
(*) Com informações da assessoria
LEIA MAIS:





