(Foto: Divulgação /Orlando K Junior /Agência Brasil e Divulgação/ TRE)
Manaus (AM) – A tradicional promessa de reconstrução da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho, deve mais uma vez ficar à margem do debate eleitoral no Amazonas. Segundo o cientista político Luiz Antônio, em entrevista exclusiva ao Portal AM1, o tema costuma ser utilizado de forma simbólica durante campanhas, mas raramente se traduz em ações concretas após as eleições.
“O governador não tem competência direta sobre rodovias federais. Isso é responsabilidade da União. Prometer resolver a BR-319 é, no mínimo, um discurso político pouco realista”, afirmou.
Ele lembrou que, ao longo de mais de três décadas, diferentes governos federais, incluindo gestões de Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, não conseguiram viabilizar a recuperação da estrada.
“Se presidentes da República não conseguiram resolver, é ilusório acreditar que um governador estadual terá força política para isso, ainda mais em um estado com apenas oito deputados federais”, destacou.
Diante disso, Luiz Antônio avaliou que candidatos tendem a evitar o tema ou tratá-lo superficialmente. Segundo ele, insistir na pauta pode abrir espaço para cobranças sobre problemas que são, de fato, de responsabilidade estadual, como as precárias condições das estradas locais.
“Se trouxerem a BR-319 para o debate, terão que explicar por que as estradas estaduais estão abandonadas, muitas intrafegáveis durante parte do ano”, pontuou.
O cientista político defendeu que a campanha eleitoral deveria priorizar temas mais urgentes e sob responsabilidade direta do governo estadual. Entre eles, ele destaca a crise na educação e na saúde pública.
Na educação, os indicadores são considerados alarmantes, com baixos desempenhos em avaliações nacionais, falta de investimento na formação de professores e problemas como evasão escolar e violência no ambiente escolar.
Já na saúde, Luiz Antônio denunciou a existência de uma “fila invisível” para exames e cirurgias, agravada pela falta de transparência e pela dependência de serviços privatizados com resultados insatisfatórios.
Outro ponto crítico citado por ele é o abandono da agricultura familiar. Segundo Luiz Antônio, mesmo com recursos disponíveis, a falta de assistência técnica impede o acesso a crédito por parte dos produtores.
“Havia mais de R$ 70 milhões disponíveis para agricultura familiar em 2025, mas nenhum contrato foi firmado por falta de projetos. Isso mostra um problema grave de gestão”, afirmou.
Para o especialista, o eleitor deve estar atento a propostas concretas e viáveis, cobrando dos candidatos soluções para problemas estruturais que impactam diretamente a população, em vez de promessas recorrentes que dificilmente saem do papel.
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