(Foto: Divulgação /Observatório BR-319)
Manaus (AM) – A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, completa 50 anos marcada por promessas não cumpridas, trechos intransitáveis e ausência de protagonismo no debate político atual. Mesmo com a relevância estratégica para o estado, a data foi ignorada por pré-candidatos ao Governo do Amazonas.
Entre os nomes já colocados na disputa, Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL), Tadeu de Souza (PP) e David Almeida (Avante) não houve posicionamentos sobre propostas ao futuro da rodovia. O silêncio chama atenção diante do impacto direto que a BR-319 exerce sobre a economia, a mobilidade e a integração regional.
Uma estrada simbólica e incompleta
Inaugurada na década de 1970, a BR-319 nasceu com o objetivo de integrar o Amazonas ao restante do país por via terrestre. Meio século depois, a rodovia nunca foi plenamente concluída nem mantida de forma adequada. Em vários trechos, especialmente no chamado “trecho do meio”, motoristas enfrentam lama, buracos e atoleiros que tornam a viagem imprevisível e, em alguns períodos do ano, inviável.
A precariedade da estrada compromete o transporte de mercadorias e eleva custos logísticos. Empresas enfrentam atrasos constantes, enquanto passageiros lidam com insegurança e longos tempos de deslocamento.
Impactos econômicos e logísticos
A ausência de uma ligação terrestre funcional afeta diretamente o desenvolvimento do Amazonas. Atualmente, grande parte do abastecimento depende do modal fluvial e aéreo, que, embora essenciais, apresentam limitações, especialmente em períodos de estiagem severa dos rios.
Especialistas apontam que a BR-319 não resolveria todos os gargalos logísticos do estado, mas funcionaria como uma alternativa estratégica, sobretudo em momentos de crise climática. A diversificação dos modais, integrando transporte rodoviário, hidroviário e aéreo, é vista como uma solução mais eficiente para garantir o escoamento de produtos e a segurança do abastecimento.
Desafio que atravessa gerações
Ao completar 50 anos, a BR-319 simboliza não apenas uma obra inacabada, mas também um desafio persistente para diferentes governos. A estrada permanece como uma promessa de integração e desenvolvimento ainda distante da realidade.
Enquanto isso, a população e o setor produtivo continuam lidando com as consequências de uma infraestrutura insuficiente, e aguardam que o tema deixe de ser esquecido no debate político e ganhe espaço nas propostas concretas para o futuro do Amazonas.
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