Os testes ocorreram na região de Maxaranguape (RN), tradicional campo de provas da FAB. O objetivo foi avaliar o comportamento da aeronave no momento mais sensível de uma missão de bombardeio: a separação da bomba em voo. Essa etapa é crítica porque envolve fatores como estabilidade aerodinâmica, integridade estrutural, fluxo de ar e precisão balística.
Cada lançamento é monitorado por sensores e sistemas de telemetria que analisam, em tempo real, o desempenho da aeronave e do armamento. Caso haja qualquer alteração inesperada no comportamento da bomba após o desprendimento, a segurança da missão pode ser comprometida.
O que foi testado
Durante a campanha, o Gripen brasileiro lançou a Mk 84, bomba de uso geral com cerca de 900 kg, considerada uma das mais pesadas do arsenal convencional ocidental. O artefato é empregado para neutralizar alvos fortificados, pistas, depósitos estratégicos e infraestruturas militares de alto valor.
Além disso, foi validado o uso do sistema Lizard 500, um kit de guiagem a laser que transforma bombas convencionais em munições de alta precisão. Nesse sistema, o alvo é iluminado por um feixe laser, permitindo que a bomba ajuste sua trajetória até o impacto com maior exatidão e menor risco de danos colaterais.
Segundo a FAB, os resultados confirmaram que o F-39 manteve comportamento aerodinâmico seguro e previsível, ao mesmo tempo em que os armamentos atingiram os alvos dentro dos padrões internacionais exigidos.
O que é o F-39 Gripen
O F-39 Gripen é a designação brasileira do caça multifunção Saab JAS 39E/F Gripen, desenvolvido pela empresa sueca Saab AB e produzido no Brasil em parceria com a Embraer.
Integrado à FAB, o modelo simboliza o núcleo da modernização da defesa aérea nacional. A aeronave combina aviônicos de última geração, radar com tecnologia AESA, sensores avançados e arquitetura aberta de sistemas, além de incorporar um amplo programa de transferência de tecnologia.
Esse acordo permite que engenheiros e técnicos brasileiros participem ativamente do desenvolvimento, integração e manutenção da aeronave, fortalecendo a indústria nacional de defesa e ampliando a autonomia estratégica do país.
Certificação amplia capacidade estratégica
Com a validação do emprego de bombas pesadas e guiadas, o F-39 consolida sua capacidade multirole, podendo atuar tanto em missões de superioridade aérea quanto em operações de ataque ao solo, interdição e apoio aéreo aproximado.
Na prática, isso amplia significativamente a capacidade de resposta da FAB. A aeronave passa a desempenhar papel central na estratégia de dissuasão brasileira, oferecendo flexibilidade operacional em diferentes cenários.
Ao dominar a integração entre aeronave, software de missão e armamentos, o Brasil não apenas certifica um novo sistema de armas, mas também reforça sua posição como operador plenamente capacitado de uma das plataformas de combate mais modernas da atualidade.
O resultado é uma força aérea mais versátil, tecnologicamente atualizada e alinhada às doutrinas contemporâneas de emprego do poder aéreo.