Manaus, 6 de julho de 2026
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Política

Brasil tenta manter neutralidade em guerra no Oriente Médio

O professor Jonathan Lopes, especialista em geopolítica, diz que país precisa agir como mediador para evitar desgaste diplomático

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Palácio do Itamaraty (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O Brasil tenta ocupar uma posição de equilíbrio diplomático diante da escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos. A análise é do professor Jonathan Lopes, especalista em geopolítica, que defende uma postura de mediação e cautela por parte do governo brasileiro

Segundo ele, o país tem tradição histórica de defesa do diálogo e da solução negociada, o que explica a reação oficial do Itamaraty logo após o início da escalada militar.

Itamaraty condenou ataques e pediu negociação

De acordo com Jonathan, o Brasil seguiu sua linha tradicional de política externa ao condenar os ataques e defender a negociação diplomática como saída para a crise.

“O Brasil tem uma doutrina muito consolidada de condenar conflitos e defender a solução negociada. Foi isso que o Itamaraty fez desde o início”, afirmou.

O professor lembrou que o país também tem histórico relevante em negociações envolvendo o programa nuclear iraniano, especialmente nas tratativas conduzidas com a Turquia em 2010.

Brasil tenta evitar atrito com dois lados

Na avaliação do especialista, o maior desafio do Brasil é evitar um posicionamento que provoque desgaste com qualquer um dos lados envolvidos.

De um lado, o país mantém relação histórica e estratégica com os Estados Unidos. Do outro, o Irã é parceiro comercial importante e também integra o BRICS.

“O Brasil precisa ter muito cuidado para não demonstrar apoio indiscriminado nem aos Estados Unidos e Israel, nem ao Irã. A posição mais racional é a de mediador”, disse.

Irã pesa no comércio e no BRICS

Jonathan lembrou que o Irã tem relevância econômica para o Brasil, sobretudo como comprador de milho e soja, além de integrar a nova configuração ampliada do BRICS.

“O Irã passou a fazer parte de um grupo estratégico para o Brasil. Então qualquer posicionamento precisa levar em conta não só a diplomacia, mas também o comércio e os interesses econômicos”, avaliou.

Além do Irã, outros países do Golfo passaram a integrar o bloco, o que amplia a necessidade de uma atuação brasileira mais equilibrada.

Brasil aposta em canais multilaterais

Na visão do professor, o Brasil deve continuar usando sua tradição diplomática dentro de organismos internacionais, especialmente na ONU, para tentar defender a redução da tensão.

“O papel mais importante do Brasil hoje é ajudar a reabrir canais de diálogo dentro dos organismos multilaterais”, afirmou.

Para Jonathan, essa é a forma mais coerente de o país preservar sua imagem internacional sem comprometer relações estratégicas com potências e parceiros comerciais.

Assista à entrevista completa:

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