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5 de dezembro de 2020
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Curso para missionário que custaria R$ 236 mil à Funai é investigado pelo MPF

Segundo o MPF, o valor seria custeado pela autarquia, “em um momento em que as entidades indígenas cobram ações do governo federal para o combate à covid-19 nas aldeias”

Curso para missionário que custaria R$ 236 mil à Funai é investigado pelo MPF
Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF) investiga a abertura, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), de um processo interno para ofertar um curso de pós-graduação em antropologia que vai custar R$ 236 mil aos cofres da autarquia, em um momento em que as entidades indígenas cobram ações do governo federal para o combate à covid-19 nas aldeias, com a necessidade evidente de mais recursos.

Para o MPF, “é necessária a apuração sobre a realização de gastos dessa espécie em plena pandemia do novo coronavírus e também sobre uma possível ocorrência de desvio de finalidade”.

Leia mais: MPF pede julgamento antecipado de ação contra governo federal por discursos de ódio contra índios

Há suspeita de desvio de finalidade por possível realização de gastos não imprescindíveis. O MPF enviou uma série de questionamentos para a presidência da Funai sobre a proposta de pós-graduação, que seria coordenada por um pastor e um ruralista.

O pastor Ricardo Lopes Dias é da Coordenação de Índios Isolados da Funai. Ele teve a nomeação questionada judicialmente pelo MPF e chegou a ser afastado do cargo por sua ligação com a organização Missão Novas Tribos do Brasil, que defende publicamente o contato forçado com indígenas isolados.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu que ele continuasse na coordenação e o MPF aguarda julgamento de recurso.

Além do pastor, o outro coordenador listado na proposta de curso apresentada na Funai é Cláudio Eduardo Badaró, que já foi designado como coordenador de um grupo de trabalho para demarcação de terras indígenas no Acre e teve a nomeação também questionada pelo MPF, por não possuir a formação exigida em antropologia para a tarefa. Badaró não tem qualificação técnica para a função e já atuou em ações judiciais contra os povos indígenas e contra a demarcação de terras indígenas.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, pelo curso, Ricardo Lopes Dias receberia o montante de R$ 77 mil, e Cláudio Badaró, de R$ 72,7 mil.

Ao presidente da Funai, Marcelo Xavier, o MPF enviou questionamentos que devem ser respondidos no prazo de cinco dias.

 

(*) Com informações do  MPF

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