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23 de setembro de 2020
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Ipam derruba tese de que incêndios se concentram em áreas exploradas da Amazônia

Na semana passada, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, afirmou que 90% dos focos de incêndio ocorridos na área da Floresta Amazônia em 2019 se deram em áreas já desmatadas

Ipam derruba tese de que incêndios se concentram em áreas exploradas da Amazônia
Foto: Reprodução Ibama

Uma nota técnica divulgada nesta segunda-feira (3), pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), órgão que estuda a região há 25 anos, mostra que a concentração de focos de incêndio na Amazônia não está concentrada em áreas já desmatadas da região, como tem afirmado o governo federal, reiteradamente.

Leia mais: Queimadas na Amazônia têm alta de 28% no mês de julho, informa Inpe

O relatório, que faz um levantamento detalhado a partir de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela que, em 2019, 30% do fogo registrado na Amazônia foi incêndio florestal, ou seja, de área protegida. Outros 36% estão associados ao manejo agropecuário e os demais 34%, a desmatamentos recentes.

Na semana passada, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, afirmou que 90% dos focos de incêndio ocorridos na área da Floresta Amazônia em 2019 se deram em áreas já desmatadas e que a ação não estaria derrubando porções da floresta para a abertura de novas áreas de cultivo.

A Embrapa colocou a culpa das queimadas em pequenos produtores rurais já estabelecidos na região, que não contariam com tecnologias mais modernas para o preparo de terrenos que já são utilizados em pastagens e lavouras. Segundo seus analistas, são locais que já desenvolvem atividades agropecuárias “há anos, dezenas de anos e até há séculos”.

No levantamento do Ipam, porém, os pesquisadores Ane Alencar, Lucas Rodrigues e Isabel Castro afirmam que, apesar de as queimadas associadas ao manejo agropecuário serem maioria, está longe de chegar a 90% do total, inclusive em anos anteriores. “Pode-se observar pouca variação proporcional entre 2016 e 2018 (média de 42%), mas a taxa cai em 2019, para 36%, devido ao aumento do fogo em área de desmatamento recente”, afirmam os pesquisadores, ao se referir a novas áreas em fase de abertura para serem exploradas.

De acordo com os autores, entre 2016 e 2019, 64% dos focos de calor foram detectados em áreas recém-desmatadas ou já convertidas para uso agropecuário, sendo que 22% dos focos estavam diretamente relacionados ao desmatamento recente e 42% associados a manejo agropecuário.

O mês de julho fechou com uma alta de 28% no total de focos de incêndio na floresta, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados neste sábado, 1, pelo Inpe. É o pior dado desde 2017. Por outro lado, no acumulado do ano, entre janeiro e julho, o total de queimadas neste bioma teve queda de 7,6%.

A floresta amazônica teve 6.803 focos de incêndio, contra 5.318 focos registrados em julho de 2019. O recorde para o mês, de 2017, foi de 7.986 queimadas detectada pelo instituto. O mês anterior já havia sido o pior junho dos últimos 13 anos, de acordo com os números do Inpe.

As queimadas estão proibidas no País desde o dia 16, em um recesso que deveria durar 120 dias. A medida foi estabelecida por um decreto do presidente Jair Bolsonaro. O período mais intenso de queimadas no País começa agora, e deve durar até o início das chuvas de verão. Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o decreto era “importante para sinalizar que nós não queremos queimada. Quem fizer queimada está incorrendo em ilegalidade aberta”.

 

(*) Com informações Estadão

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