Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Brasileiros deixam de resgatar benefícios de parentes falecidos

O Desconhecimento sobre direitos faz brasileiros perderem seguros, pensões e auxílios trabalhistas após mortes.

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(Fotos: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Manaus (AM) – A perda de um parente próximo pode trazer impactos que vão além do emocional: ela também pesa no bolso. Em média, famílias brasileiras deixam de resgatar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil em benefícios a que a pessoa falecida tinha direito. Os dados são de um levantamento realizado pela Planeje Bem, primeira plataforma digital brasileira voltada para planejamento sucessório e apoio pós-perda.

Segundo Carolina Aparício, diretora executiva e fundadora da Planeje Bem, o principal motivo desse prejuízo é o desconhecimento sobre os direitos financeiros e sociais em nome do falecido, chamados pela plataforma de “ativos invisíveis”. Somados ao luto, à burocracia e à falta de orientação, esses fatores fazem com que muitas famílias deixem de resgatar valores que poderiam ser acessados de forma relativamente simples.

“É comum pensar que todos os bens e direitos só podem ser tratados no inventário, mas há diversos ativos que podem ser resgatados diretamente, desde que se saiba onde e como procurar. Muitos desses valores acabam esquecidos porque não há orientação adequada no momento do luto”, explica Carolina.

Os ativos mais esquecidos

A pesquisa com clientes da Planeje Bem mostra que os ativos mais negligenciados pelas famílias, e o percentual de esquecimento, são:

  • DPVAT (indenização por acidente ou morte): 40%

  • Auxílios e benefícios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, salário, férias, 13º e outros): 25% a 30%

  • Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%

  • Seguros de vida e acidentes pessoais: 20%

  • Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%

  • Pensão por morte do INSS: 10%

Há ainda outros benefícios menos divulgados, como:

  • Auxílios-funeral: oferecidos por bancos e operadoras de cartão, geralmente entre R$ 2 mil e R$ 5 mil

  • Milhas aéreas: perdas podem chegar a R$ 4 mil se não forem transferidas a tempo

  • Carteiras virtuais e auxílios vinculados a cartões de crédito

A Planeje Bem destaca que muitos desses recursos podem ser acessados diretamente, sem necessidade de inventário, mas é necessário respeitar prazos legais e apresentar documentação específica, que a maioria das famílias desconhece. Grande parte das solicitações pode ser feita online, mas precisa ser rápida, pois os benefícios podem expirar.

Quem mais esquece

O levantamento aponta que os perfis mais propensos a deixar os ativos invisíveis de lado são:

  • Gênero: homens, 65% a 70%; mulheres, 30% a 35%

  • Idade: 25 a 45 anos, sugerindo a necessidade de conscientização financeira desde cedo

  • Vínculo familiar: sobrinhos, filhos ou netos que não gerenciavam financeiramente o falecido. Após resolver as burocracias imediatas, como o funeral, muitos acabam deixando os prazos expirarem

Por que os benefícios são esquecidos

O DPVAT, que lidera a lista de esquecidos, costuma ser negligenciado devido ao choque causado por acidentes de trânsito inesperados.

“A morte inesperada por acidente e o forte impacto emocional levam ao adiamento da busca pelos direitos. Muitas vezes, a família sabe que o benefício existe, mas deixa para depois — e acaba não sendo resgatado”, explica Carolina.

No caso de auxílios trabalhistas, não é necessário esperar o inventário se todos os herdeiros estiverem de acordo. Um alvará judicial simples pode permitir o saque direto.

Quanto a contas bancárias, investimentos e consórcios, a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central tem facilitado a recuperação dos valores. Ainda assim, esquecimentos do próprio falecido ou direitos adquiridos em relacionamentos anteriores aumentam o desconhecimento.

“Às vezes, o falecido nem lembra que possui determinado benefício, ou os beneficiários não estão atualizados. Pode ocorrer de a pessoa estar em seu quarto casamento, mas o beneficiário registrado ainda ser o primeiro cônjuge”, conclui a executiva.

(*) Com informações da Agência Brasil

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