Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Caso Benício: família faz manifestação e pede punição aos responsáveis pela morte da criança

Em meio à dor e ao luto, pais de Benício afirmam que apenas “sobrevivem” enquanto aguardam justiça pela morte do filho.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) –  Familiares e amigos do pequeno Benício Xavier de Freitas, de seis anos, incluindo os pais Joyce e Bruno Freitas, realizaram uma manifestação na manhã deste sábado (13) em frente ao Hospital Santa Júlia, localizado na avenida Boulevard Álvaro Maia, na zona Centro-Sul da capital.

O ato reuniu familiares, amigos e apoiadores que pedem justiça pela morte da criança, ocorrida após atendimento médico na unidade hospitalar.

Durante a manifestação, a família cobrou a prisão da médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição do medicamento administrado ao menino.

O pai de Benício, Bruno Freitas, afirmou que o ato é um pedido por responsabilização.

“A nossa sensibilização é por justiça, a gente quer que a justiça seja feita, para que todos os envolvidos na morte do nosso filho sejam penalizados”, disse.

Joyce Freitas, mãe da criança, também se manifestou e afirmou que a recente derrubada do habeas corpus que impedia a prisão preventiva da médica trouxe esperança à família. Abalada, ela relatou a dor enfrentada desde a perda do filho.

“A gente não tá vivendo, a gente tá sobrevivendo”, desabafou.

O protesto também contou com a presença de familiares de Pedro Henrique, de um ano e três meses, que morreu em novembro após um erro médico durante uma cirurgia no município de Presidente Figueiredo.

A união das famílias reforçou o pedido por apuração rigorosa e punição aos responsáveis em casos de negligência médica.

Contexto do caso

O caso ocorreu na madrugada do dia 23 de novembro, no Hospital Santa Júlia. De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), documentos fornecidos pela unidade hospitalar e depoimentos já colhidos apontam a ocorrência de erro médico.

Benício deu entrada no hospital com suspeita de laringite e recebeu uma dose de adrenalina cerca de 15 vezes maior do que a recomendada. Conforme a investigação, o menino teria recebido 9 miligramas da substância diretamente na veia, quando o protocolo indicaria uma dosagem significativamente menor e administrada por inalação.

Ainda segundo a apuração, o hospital não contava com farmacêutico na ala pediátrica no momento do atendimento, o que levanta questionamentos sobre falhas nos procedimentos e possíveis responsabilidades institucionais.

A médica investigada responde por homicídio doloso, na modalidade dolo eventual, e por falsidade ideológica, por utilizar indevidamente a especialização de pediatria.

Segundo a polícia, ela utilizava um carimbo com a identificação “pediatra” sem a devida autorização. As investigações seguem em andamento, enquanto a Polícia Civil aguarda a formalização do pedido de prisão preventiva.

A família de Benício afirma que continuará mobilizada até que o caso seja plenamente esclarecido e os responsáveis, devidamente punidos.

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(Foto: Divulgação)

Hospital Santa Júlia 

Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que recebeu, com profundo respeito, a manifestação realizada em frente à nossa unidade. Sabemos que nenhuma palavra é capaz de dimensionar a dor da família do menino Benício, e é com sincera solidariedade que nos dirigimos a todos que têm sido tocados por essa tragédia.

“A perda de uma criança é algo que abala toda a sociedade, assim também abala cada profissional desta instituição. Estamos consternados e comprometidos em compreender, com total transparência e responsabilidade, tudo o que ocorreu. Desde o início, temos colaborado integralmente com as autoridades responsáveis investigação, oferecendo acesso a prontuários, documentos e às nossas equipes, para que cada etapa seja elucidada com rigor e verdade”, diz um trecho da nota.

Ainda conforme a nota, o momento pede serenidade para que o processo investigativo ocorra com rigor técnico e imparcialidade, garantindo que todas as conclusões se baseiem em evidências e laudos oficiais.

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