(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)
Manaus (AM) – A denúncia de agressão física e injúria racial feita pelo jornalista Marcelo Rocha durante a cobertura do 59º Festival de Parintins se tornou um episódio que levanta questionamentos sobre a segurança dos profissionais de imprensa e a forma como situações de violência são conduzidas dentro do maior evento cultural do Amazonas.
O jornalista afirma que exercia seu trabalho na área destinada à imprensa, quando foi agredido por uma mulher após informar que realizava a cobertura oficial do festival. Segundo o boletim de ocorrência, além de receber um tapa no rosto, Marcelo foi chamado de “vagabundo” e “neguinho”, expressão que configura possível injúria racial.
A denúncia não se limita à agressão. Marcelo também relata que foi derrubado por integrantes da equipe de segurança privada e levado à força para a Delegacia Itinerante do Bumbódromo. Em depoimento, afirmou que teve negado o direito de indicar testemunhas que presenciaram os fatos, enquanto as demais pessoas envolvidas puderam apresentar suas versões aos policiais.
O episódio provocou forte repercussão e levou o Ministério Público do Amazonas (MPAM) a determinar o aprofundamento das investigações. O promotor Ricardo Mitoso Nogueira Borges solicitou novas diligências para identificar testemunhas, apurar a denúncia de injúria racial e verificar possíveis irregularidades envolvendo o acesso à área destinada às Pessoas com Deficiência (PCD), onde estava a mulher apontada como autora da agressão. O órgão também deu prazo de 30 dias para que a Polícia Civil avance na investigação.
A atuação do MP ocorre após o caso ter sido inicialmente registrado apenas como um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), procedimento adotado para infrações de menor potencial ofensivo. A decisão de ampliar as investigações demonstra que os elementos apresentados pela vítima exigem uma apuração mais aprofundada do que a inicialmente conduzida.
Em nota, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa afirmou que não compactua com qualquer prática discriminatória e informou que prestou assistência ao jornalista, acionando a Defensoria Pública e oferecendo apoio jurídico ainda durante a madrugada da ocorrência.
Os bois Caprichoso e Garantido também divulgaram manifestações de repúdio. O Boi-Bumbá Caprichoso destacou solidariedade ao jornalista e reforçou a importância da liberdade de imprensa e do respeito aos profissionais da comunicação. O Boi-Bumbá Garantido condenou qualquer ato de racismo, preconceito, discriminação ou violência, afirmando que essas práticas são incompatíveis com os valores defendidos pela associação.
A mobilização também alcançou as entidades representativas da categoria. Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR-AM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) classificaram o episódio como um grave ataque ao exercício da profissão e cobraram a responsabilização dos envolvidos. Para as entidades, permitir que jornalistas sejam intimidados ou agredidos durante o exercício do trabalho representa uma ameaça à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.
O caso segue sob investigação e amplia o debate sobre a responsabilidade dos organizadores, da segurança privada e do poder público em garantir que profissionais da comunicação possam desempenhar seu trabalho sem sofrer violência, intimidação ou discriminação em um dos maiores eventos culturais do país.
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